33o. DOMINGO DO TEMPO COMUM – Os talentos recebidos e restituídos – 15 de Novembro
DIA MUNDIAL DOS POBRES
Aproximamo-nos da Festa do Advento e, portanto, está próximo o fim do ano litúrgico.
Neste 33º domingo do Tempo Comum, decretado dia mundial dos pobres pelo papa Francisco (na carta apostólica intitulada Misericordia et misera, n. 21), recordamos que é necessário tomarmos consciência de que não pode haver justiça nem paz social numa realidade em que prevalece a injustiça.
Assim, o dia mundial dos pobres pretende ser uma pequena resposta, dirigida pela Igreja inteira espalhada por todo o mundo, aos pobres de todo gênero e de todo lugar, para que não pensem que o seu clamor tenha caído no vazio. Nesse sentido, o dia mundial dos pobres não deve ser marcado somente por uma ajuda momentânea ou por ações assistencialistas, mas como um dia que faz memória da nossa opção fundamental pelo pobre.
O Evangelho de hoje (Mt 25,14-30 ou mais breve 25,14-15.19-21) aborda a parábola dos talentos, prosseguindo o ensinamento da Liturgia passada, que aponta para o futuro das pessoas no mundo, o mistério da volta de Jesus e a prestação de contas que cada um deverá fazer.
Os servos simbolizam a humanidade; todos recebem talentos, ou seja, dons dispensados por Deus que devem ser aproveitados no decorrer dessa vida. O prêmio dado aos servos fiéis consiste na salvação eterna, figurada no Banquete celeste; e o castigo aplicado ao servo infiel e preguiçoso será a exclusão do reino, a perdição.
A Primeira Leitura (Pr 31,10-13.19-20.30-31) é um poema acróstico(poesia em que as primeiras letras (às vezes, as do meio ou do fim) de cada verso formam, em sentido vertical, um ou mais nomes ou um conceito, máxima etc.) sobre a mulher virtuosa que exemplifica os princípios da sabedoria.
A boa esposa é um tema importante em todo o livro, assim, não surpreende que o livro termine com o exemplo de uma mulher como boa esposa, uma mulher sábia.
Sua sabedoria e administração são completas, por isso, sua responsabilidade para com a família lhe proporciona felicidade.
Na Segunda Leitura o texto de São Paulo (1Ts 5,1-6), que é também uma continuidade da celebração passada, vem reforçar que o dia do Senhor virá como um ladrão noturno. Aponta que é preciso estarmos prontos para esse dia, daí a necessidade de estarmos vigilantes. Retoma a importância da adesão a Cristo, nossa luz, e nos garante que o projeto de salvação realiza-se continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. Paulo incentiva a comunidade a olhar a morte com a certeza de se unir a Cristo.
O Salmo 127(128) deste domingo também foca na figura da mulher, que é comparada como uma vinha fecunda, na felicidade doméstica e familiar. Trata-se de uma Bem-Aventurança que canta a vida familiar (v.1-3) e uma benção (v.4-6). O salmista começa declarando que a felicidade é o resultado daquele que aprendeu a temer o Senhor e a andar nos seus caminhos.
Para entendermos essa parábola, é preciso olhar para seu contexto, pois o assunto tratado por Jesus naquele momento era os sinais dos últimos dias. No capítulo anterior, Jesus falara dos sinais que antecederiam a sua volta, daí contando três parábolas, das quais a dos Talentos foi a última. Em todas as três, vemos uma mensagem em comum: a necessidade de vigilância em relação ao nosso comportamento, pois iremos prestar contas de nossos atos ao Senhor, quando este vier. A primeira enfatiza nosso cuidado das pessoas a nós confiadas; a segunda, nossa prontidão em relação à espera da vinda do Senhor; e a terceira, quanto ao uso dos bens a nós confiados (os talentos).
Na Parábola dos Talentos, portanto, podemos extrair boas aplicações para nossa vida com Deus:
O patrão chama seus empregados e garante-lhes a confiança de seus talentos, seus bens. O faz na certeza de que eles serão trabalhados a ponto de crescerem em número, passando de cinco para dez, de dois para quatro e, possivelmente, de um para dois. Dois de seus empregados são chamados de bons e fiéis, pois souberam administrar com sabedoria inigualável seus bens, a ponto de serem dobrados.
Mas nem todos conseguiram possuir tal capacidade; às vezes, somos acometidos pelo medo de mostrar ao mundo nossas capacidades, pois se o fizermos estaremos frente a um alvo, pronto para sermos atirados com flechas, com pedras, com dardos e tudo o mais. Nos escondemos pelo fato de não querermos ser julgados pelo que somos e pelo que iremos apresentar (talentos), ou ainda, pelo que poderíamos fazer, mas que devido ao medo, as nossas capacidades são escondidas, esquecidas, enterradas, enfraquecidas.
Esconder o talento pode ser equiparado a fugir do plano que Deus desejou para a vida de cada um; é deixar prevalecer em cada um a vontade humana, e não os desígnios de Deus.
– Capacidade, julgamento, medo, insegurança.
A outro, um terceiro, um imprudente empregado, é alcunhado o fardo de mau e preguiçoso, pois o Senhor, também a este deu um talento, e acreditava que, de fato, ele seria um excelente administrador daquilo que lhe fora confiado.
No entanto, as expectativas do Senhor são rompidas pelo fato de uma falsa expectativa criada em torno do medo de não conseguir aquilo que o próprio patrão esperava que acontecesse com o talento: o seu crescimento oriundo da capacidade de buscar o que se quer, de vencer obstáculos, transpor barreiras. Nas palavras de São Paulo: ‘combater o bom combate, completar a corrida, guardar a fé!’, pois o que Deus espera de cada um de nós, no caso do Apóstolo Paulo, fora feito, os talentos se multiplicaram.
Se devolver a Deus um talento que não teve em si a capacidade de crescer, o homem receberá d’Ele, através de suas palavras, os termos ‘mau e preguiçoso’. O Senhor Deus sabe da capacidade de cada um, conhece intimamente medos e angústias, e mesmo assim Ele espera de cada um uma devolutiva de seus talentos: Eles estão sendo multiplicados? Estão sendo guardados? São colocados a serviço dos irmãos?
O último ponto a ser levado em consideração é o fator da consequência de um talento que não produz fruto. Àquele que não se abrir ao processo de partilha dos dons, será reservado o lado de fora, um lugar escuro, onde paira choro e ranger de dentes. As consequências dos atos devem ser centradas no hoje, a fim de que o lugar que se queira estar seja aprazível, livre de toda desolação e humilhação.
Deus nos conceda a sabedoria e a coragem de amar não com palavras, mas com obras, pois somos chamados a testemunhar a Reino de Deus e os valores propostos por Jesus, em uma comunidade de irmãos que se reconhecem no amor.
Abençoado domingo a todos!

