SANTA RITA DE CÁSSIA

HISTÓRICO DA CAPELA SANTA RITA DE CÁSSIA
50 ANOS
A história da Capela Santa Rita de Cássia começa em 1951, na Rua Vicente de Lima Cleto, em Nova Cidade. Onde havia a casa do seu Pedro Ferreira Lobo que veio do Nordeste com a família e ali vivia com a esposa D. Prisce, e os filhos. Muito religioso, seu Pedro viu que na localidade não havia nenhuma igreja por perto; para ir a Missa, as pessoas iam para a mais próxima que era a Igreja Matriz de São Gonçalo de Amarante. Então seu Pedro teve a idéia de realizar Missas na sua casa, e convidou o Monsenhor Barenco para celebrá-las. Era uma Missa por mês e era realizada na varanda da casa. As filhas de seu Pedro, percorriam de bicicleta as ruas do bairro Nova Cidade e também as ruas dos bairros vizinhos, para avisar ao povo sobre a Missa. Na década de 60, com a doação feita pelo senhor Bonorino e senhora Carmem, da primeira imagem de Santa Rita de Cássia, o Sr. Manoel Teles Ferreira Lobo construiu uma capelinha de madeira no terreno, entre o Instituto Nossa Senhora das Graças, que era um colégio que também funcionava ali e a casa da família. Vários padres presidiram as Missas na capelinha, mas padre Stéfano era o mais constante, de vez em quando, vinha o padre Noé, então pároco da Igreja Matriz de São Gonçalo de Amarante. Seu Pedro constantemente conversava com o padre Noé sobre a aquisição de um terreno para a construção da igreja. Finalmente em 1966 com a ajuda dos fiéis foi conseguido o terreno onde hoje está erguida a Capela, foi também em 1966, que foi recebida a pedra fundamental, em cuja inscrição se lê, além do nome e endereço da nossa Arquidiocese: “Dos santos mártires. Sagrada por sua Excelência Reverendíssima Dom Antônio de Almeida Morais Júnior. Niterói, 11 de Outubro de 1966”.
A compra exigiu muito sacrifício e para pagar o terreno, foram realizados diversos eventos e festas; e, até mesmo alguns fiéis saíram às ruas com uma caixa de sapatos vazia nas mãos, batendo de porta em porta: rezavam o Terço, convertiam mais alguns fiéis e recolhiam contribuições espontâneas em dinheiro, que era guardado na caixa de sapato. E assim, o terreno foi inteiramente quitado.
Alguns meses depois da compra, foi realizada a primeira Missa no terreno, foi organizada uma procissão saindo da capelinha de madeira até o terreno. A Missa foi presidida por Monsenhor Barenco no dia 04 de Fevereiro de 1968. Neste dia aconteceu um fato marcante: o lançamento da pedra fundamental. Essa Missa, assim como tantas outras que se seguiram, foi realizada ao ar livre, embaixo de uma grande mangueira e cujo Altar era uma caixa d’água virada para baixo.
Como o terreno era muito íngreme, foi colocada uma grande cruz na parte mais alta. A imagem de Santa Rita de Cássia era sempre levada para o terreno quando da realização das Missas e das festas, e depois voltava para a casa do seu Pedro, depois de um tempo ela começou a ser guardada na casa da Dona Nair, paroquiana que morava e mora numa rua vizinha a igreja. Nesta época veio para a Capela, a irmã Havelina da Congregação Pequenas Irmãs da Divina Providência (fundada pela Beata Madre Teresa Michel), ela teve um papel fundamental na história da nossa Comunidade. Foi com ela que teve início a construção das primeiras dependências da Capela. Com a construção das primeiras dependências a nossa santa padroeira passou a “morar” definitivamente na igreja. Esta imagem é a mesma que ficava sobre o armário da Sacristia e durante muitos anos foi utilizada nas procissões. Quem visita a Capela e dedica algum tempinho para contemplar esta imagem, fica maravilhado com a beleza dos olhos… Parecem vivos.
A irmã Havelina foi muito ativa na capela; fundou os pequenos Michelinos, deu aulas de corte e costura, crochê e vários tipos de artesanatos. Ela foi fundamental na evangelização da comunidade, pois com os seus serviços prestados ela conseguiu trazer muitos paroquianos para a igreja. Acredita-se que foi por sua influência, junto a alguns sacerdotes, que a Capela de Santa Rita de Cássia, obteve a graça de receber do Vaticano, o relicário de Santa Rita de Cássia, em 1974. No dia 15 de Outubro de 2006, ela recebeu uma homenagem póstuma, foi colocada um placa com seu nome, na imagem de Santa Rita de Cássia, em frente a igreja.
Durante a década de 70, a Capela contou muito com a assistência de freiras e seminaristas. Depois da irmã Havelina veio a irmã Salete, da mesma congregação; o seminarista Tarcísio que fundou o primeiro grupo jovem da Santa Rita (o JUNAC), atualmente ele é bispo da Diocese de Duque de Caxias/RJ. Também contamos com a colaboração dos seminaristas Diniz e José Neri, que ajudaram na formação catequética para jovens e adultos e dos jovens. José Neri é Monsenhor e Vigário Geral na Diocese de Feira de Santana na Bahia.
Mais tarde a Capela foi integrada a Paróquia de São José, que já contava com o padre Noé como pároco. Padre Noé atuava em várias comunidades e quase sempre não podia celebrar as Missas; ele participava mais das reuniões do Círculo Bíblico. Não havia sacerdote fixo para a Capela e com isso, muitos padres vieram para celebrar as Missas; quando não tinha padre… Não tinha Missa; mas raramente a Capela de Santa Rita ficou sem Missa, raramente mesmo.
Os padres que tiveram mais atuação na Capela, não só para presidir as Missas habituais, mas também para as celebrações da Primeira Eucaristia e das festas, foram “emprestados” pela Arquidiocese do Rio de Janeiro: padre Rocha e padre Vila (missionários), frei Joaquim (Franciscano). Vale ressaltar dois fatos: Foi padre Vila quem idealizou o desenho da cruz do Presbitério e do Sacrário; segundo ele, a cruz tem uma haste maior para que nos lembremos que a Cruz de Cristo nos pertence e que nós não podemos esquecer de carregá-la também. E, foi frei Joaquim, que na Missa do Natal, entronizou o Sacrário na Capela. Nas festas da padroeira, como ficava muito tarde para que retornasse para o Rio, o padre era acolhido na casa de algum fiel, para dormir.
Após vinte e seis anos de história e muitos apelos dos fiéis, Dom José que era o nosso arcebispo na época, enviou para a Capela no final de 1986, seu primeiro vigário, o padre Fausto Rodrigues dos Santos, que dividia seu Ministério atendendo também a Capela Nossa Senhora das Graças no bairro das Palmeiras. Padre Fausto morava na casa paroquial da Santa Rita. Com ele veio para trabalhar nas pastorais da Capela: o seminarista José Osmar de Medeiros (padre Dé) que deu bastante motivação ao grupo jovem.
Padre Fausto até hoje diz que a Santa Rita foi sua “primeira namorada’”, porque assim que ele chegou de Minas Gerais e se apresentou para o bispo, este o designou para a Capela de Santa Rita de Cássia. Ele foi substituído em 1996 pelo padre Marcos Drumond Calixto(atualmente na Paróquia Nsa. Sra. Aparecida no Galo Branco), foi o padre Marcos que mandou construir o confessionário.
Em Setembro de 1997, chegou a Santa Rita um padre meio desajeitado, que se enrolava um pouco para abrir o Sacrário; ele mesmo assumiu este jeito dizendo certa vez numa palestra para catequistas do Vicariato São Gonçalo “Gente não repara não… eu sou estabanado assim mesmo!” esta declaração arrancou gargalhadas da assembleia, porque os papéis dele caiam a todo instante do ambão. Há também outros fatos divertidos que daria para escrever um livro.
Este padre tomou conta dos corações da comunidade de Santa Rita, o padre José Virgílio Estácio. Amado por todos, padre Virgílio contribuiu bastante para que a Santa Rita se tornasse uma comunidade mais dinâmica e independente. Também realizou grandes reformas no prédio da Capela, a estrutura da nave da igreja, o 2º e 3º andares são obras dele. Atualmente o pe. Virgílio está na Paróquia São Jorge em Praia Seca, Araruama.
Padre Virgílio foi substituído em Dezembro de 2002, pelo padre Wallace Dahan dos Santos. Vale ressaltar aqui que o caminho da Capela Santa Rita de Cássia com padre Wallace já estava traçado por Deus alguns aninhos antes dele tomar posse como nosso pároco e, certamente um dia, haveriam de seguir juntos. A primeira vez que padre Wallace veio à Santa Rita, foi para uma palestra num encontro de jovens – o Oásis – de acordo com testemunhas ele comeu vários potinhos de doce de abóbora alegando que era um para cada conta do Rosário. Em Agosto de 1999, padre Virgílio submeteu-se a uma cirurgia no joelho e foi substituído por padre Wallace nas Missas dominicais. Quando se despediu na última Missa, ele disse que faria uma viagem e passaria por Cássia, na Itália e diante do corpo de Santa Rita ele rezaria pela nossa Comunidade. Promessa feita, promessa cumprida. Em Setembro de 2000, padre Wallace retornou para uma palestra na jornada litúrgica e em Fevereiro de 2001, veio para celebrar as Missas dominicais cobrindo as férias do padre Virgílio. Precisamente no dia 15 de Dezembro de 2002, o pe. Wallace retorna para presidir a sua primeira Missa como novo pároco da Capela Santa Rita de Cássia. Padre Wallace na época já era pároco da Paróquia Santíssima Trindade. Vamos explicar um pouco este acontecimento…
Quando Dom Carlos Alberto incorporou a Santa Rita à Paróquia Santíssima Trindade, ele escreveu um capítulo importante na história da nossa Capela. A Santíssima Trindade passou a condição de Paróquia em Outubro de 2001, e já era desejo de Dom Carlos somar a Santa Rita de Cássia ao território da Paróquia da Trindade; mas só não concretizava isto em virtude da resistência do padre Noé. Padre Noé faleceu no dia 20 de Novembro de 2001. Em Dezembro de 2002 o desejo de Dom Carlos se concretizou, a Santa Rita foi subtraída da Paróquia São José e somada a Paróquia Santíssima Trindade. Com isso, a Capela foi subtraída também do Vicariato São Gonçalo, do qual participava ativamente dos eventos, reuniões e decisões importantes do Vicariato (já que membros da representavam junto ao Vicariato São Gonçalo, tanto a Paróquia de São José quanto a Capela Nossa Senhora do Amparo), e foi adicionada ao então Vicariato Rural.
Tal situação ficou muito difícil para a Comunidade não tanto pela mudança de Paróquia, mas pela mudança de Vicariato.
Este e outros fatos foram relatados a Dom Carlos Alberto no dia 17 de Janeiro de 2003, Dom Carlos, então relatou que desconhecia a real situação da Capela Santa Rita de Cássia e visivelmente sensibilizado, prometeu aos seus interlocutores que faria uma mudança importante neste sentido, e na qual ele já considerava resolvido. Então foi falado e agradecido a ele que o padre Wallace foi de fato, um grande presente de Natal que ele deu a nossa Comunidade e que ele continuasse conosco. Dom Carlos pediu para que a Comunidade ficasse tranquila, que ele manteria o padre Wallace, e que já sabia o que seria feito; ou seja, ele deu a entender que a Paróquia Santíssima Trindade seria somada ao Vicariato São Gonçalo; ; mas… Dom Carlos padeceu de um mal súbito e veio a falecer dias depois, em 02 de Fevereiro de 2003. O ato de Dom Carlos Alberto quanto a transferência da Capela Santa Rita de Cássia para a Paróquia Santíssima Trindade foi oficializado em documento assinado pelo seu sucessor Dom Frei Alano Maria Pena em Abril de 2004.
Com padre Wallace, a Santa Rita cresceu muito pastoralmente; em todos os sentidos. Novas pastorais foram implantadas e outras dinamizadas: Catecumenato, Familiar, Vicentinos, Círculo Bíblico, Perseverança, Obra do Berço… Tanto que em 2005 nós conseguimos realizar um dos grandes sonhos da Comunidade: a aquisição de um terreno, e com o lançamento da campanha “Sou devoto da Eucaristia”, os fiéis adquiriram um carnê, e o terreno foi inteiramente quitado em três anos. Padre Wallace ficou conosco até o dia 29 de Julho de 2007.
Ele foi transferido por Dom Alano para a Catedral Metropolitana São João Batista em Niterói. Para substituí-lo veio padre Helcimar Sardinha da Silva que tomou posse no dia 02 de Setembro de 2007. Neste intervalo de tempo, em Agosto, ficou conosco o frei Ricardo Dias, que era da Ordem dos Frades Menores (Conventual) e hoje é padre diocesano da nossa Arquidiocese.
Padre Helcimar também não era “estranho” a Capela de Santa Rita; ele esteve conosco em duas oportunidades: convidado por pe. Wallace, na Sexta-feira Santa, ele acompanhou a Procissão do Encontro, e conduziu a procissão de Nossa Senhora das Dores da Capela até a Matriz, dono de uma belíssima voz, ele conduziu maravilhosamente a procissão e fez uma narrativa emocionante juntamente com padre Wallace, do encontro de Nossa Senhora das Dores com o Senhor dos Passos.
Um ano depois ele foi convidado para presidir uma das Missas da festa de Santa Rita no dia 22 de Maio.
Padre Helcimar com seu jeito doce e solícito cativou rapidamente o coração dos paroquianos da Santa Rita; ele também impulsionou o crescimento das pastorais e com ele, voltamos a ter o Grupo Jovem na Capela; por sinal ele se comunicava muito bem com os jovens. Ele ficou pouco tempo conosco, pois atendendo a um chamado de Deus e a um anseio próprio, no dia 25 de Janeiro de 2009, ele se afastou da Paróquia e consequentemente da Arquidiocese, para uma experiência no Mosteiro de São Bento. A espiritualidade beneditina era muito forte nele; e apesar do pouco tempo que ficou conosco, nos deixou lembranças muito boas; aqueles que entenderam as lições que o padre Helcimar nos ensinou com relação a uma vida mais voltada para a oração, o recolhimento e enriquecimento da espiritualidade; aprenderam e aprenderam bem.
Mal sabíamos que fortes emoções nos aguardavam. No dia 1º de Fevereiro de 2009, o padre Wellington Dahan dos Santos (irmão gêmeo do padre Wallace), veio presidir uma Missa, e no final dessa Missa ele anunciou para o bem de todos e felicidade geral da comunidade, que estava ali como nosso novo pároco. Nossa… quanta alegria! Padre Wellington era pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Arraial do Cabo – sua primeira Paróquia – de lá saiu em 2006 para ser reitor do Seminário Arquidiocesano São José, em Niterói. Durante dois meses ele precisou dividir sua atenção entre o Seminário e a nossa Paróquia, na qual foi empossado por Dom Alano no dia 29 de Março de 2009. Com padre Wellington a comunidade alavancou de vez a construção do CEPAE (Centro Paroquial de Evangelização), por intermédio de uma campanha; também realizamos a reforma da Nave da igreja e; vem outros planos por aí, mas esta é uma história que ainda estamos escrevendo…..
Este é apenas um breve relato da história da Capela Santa Rita de Cássia, que neste ano de 2018 celebra o seu Jubileu de 50 anos. Somos agradecidos ao padre Wellington que ao nos proporcionar este momento de comemorarmos o nosso Jubileu, nos deu a oportunidade de resgatarmos nossa história, nossa memória e percebermos com clareza que nossa igreja foi construída por pessoas simples, sonhadoras, guerreiras, perseverantes e que tinham uma coisa que ninguém poderia lhes tirar: a alegria cristã, a alegria que só Jesus Cristo proporciona aos que acreditam verdadeiramente Nele, a alegria de acreditar e saber que mesmo num mar de dificuldades se veleja com tranquilidade por saber que tudo vai dar certo; pois tudo dá certo para aqueles que confiam no Senhor. A Ele toda honra e toda a glória!
Quem quiser fazer parte desta Comunidade abra-se e abrace.
Nós temos um sonho, um grande e ousado sonho, que talvez pudesse ter sido realizado a algum tempo atrás, mas confiamos que nossa amada Padroeira Santa Rita de Cássia, a ”Santa das causas impossíveis”, intercederá por nós junto a Deus para que este sonho se torne realidade. Que o Senhor Todo Poderoso, a Virgem Maria e Santa Rita de Cássia nos mantenham fortes e unidos para todo o sempre. Amém.
CURIOSIDADES
O primeiro batizado na Capela foi realizado no dia 04/01/1987, o celebrante foi padre Fausto.
O primeiro casamento foi realizado no dia 29/04/1989, e foi assistido pelo padre Fausto.
Em todo o mundo existem diversas igrejas cuja padroeira é Santa Rita de Cássia, mas a nossa Capela é uma das raríssimas igrejas dedicadas à Santa, que obteve a graça de possuir o Relicário de Santa Rita.
