FORMAÇÃOLITURGIA DIÁRIA

28º Domingo do Tempo Comum – “JESUS, MESTRE, TEM COMPAIXÃO DE NÓS!” – 09 de Outubro de 2022 – Ano C

A liturgia deste domingo mostra-nos, com exemplos concretos, como Deus tem um projeto de salvação para oferecer a todos os seres humanos, sem exceção. Reconhecer o dom de Deus, acolhê-lo com amor e gratidão, é a condição para vencer a alienação, o sofrimento, o afastamento de Deus e dos irmãos e chegar à vida plena.

A Primeira Leitura (2Rs 5,14-17) revela que só Deus oferece ao homem a vida e a salvação, sem limites nem exceções. Ao ser humano resta acolher o dom de Deus, reconhecê-lo como o único salvador e manifestar-lhe gratidão.

A leitura descreve a cura do sírio Naamã e as reações das várias personagens envolvidas; mas, mais do que apresentar uma reportagem do acontecimento, os autores deuteronomistas quiseram tecer algumas considerações de carácter teológico e catequético, que ajudassem os israelitas (seduzidos pelo culto de Baal) a redescobrir os fundamentos da sua fé.

Naamã não ficou só curado de uma doença física que punha em risco a sua vida; mas a intervenção de Deus trouxe numa transformação espiritual que fez do sírio Naamã um homem novo e o levou a deixar os ídolos para servir o verdadeiro e único Deus. A expressão dessa mudança radical é a afirmação de Naamã de que “não há outro Deus em toda a terra senão o de Israel” (v.15) e que nunca mais irá “oferecer holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel” (v.17).

A história também deixa claro que a oferta da salvação não é um dom exclusivo, reservado a alguns privilegiados ou a uma raça especial: Naamã é sírio e, portanto, um inimigo tradicional do Povo de Deus. Mas Deus não faz distinção de pessoas e oferece a todos, sem exceção, a sua graça. O que é decisivo é o acolher o dom de Deus e aceitar deixar-se transformar por ele.

A Segunda Leitura (2Tm 2,8-13) define a existência cristã como identificação com Cristo. Quem acolhe o dom de Deus torna-se discípulo: identifica-se com Cristo, vive no amor e na entrega aos irmãos e chega à vida nova da ressurreição.

O Evangelho (Lc 17,11-19) apresenta-nos um grupo de leprosos que se encontram com Jesus e que através dele descobrem a misericórdia e o amor de Deus. Eles representam toda a humanidade, envolvida pela miséria e pelo sofrimento, sobre quem Deus derrama a sua bondade, o seu amor, a sua salvação. Também aqui se chama a atenção para a resposta do homem ao dom de Deus: todos os que experimentam a salvação devem reconhecer o dom, acolhê-lo e manifestar a Deus a sua gratidão.

O episódio dos dez leprosos (que é exclusivo de Lucas) mostra que Deus tem uma proposta de vida nova e de libertação para oferecer a todos. O número dez tem, certamente, um significado simbólico: significa “totalidade” (o judaísmo considerava necessário que pelo menos dez homens estivessem presentes, a fim de que a oração comunitária pudesse ter lugar, porque o “dez” representa a totalidade da comunidade). A presença de um samaritano no grupo indica, contudo, que essa salvação oferecida por Deus, em Jesus, não se destina apenas à comunidade do “Povo eleito”, mas se destina a todos os homens e mulheres, sem exceção, mesmo àqueles que o judaísmo oficial considerava definitivamente afastados da salvação.

Como lidamos com aqueles que a sociedade de hoje considera “leprosos” e que, muitas vezes, se encontram numa situação de exclusão e de marginalidade (os sem abrigo, os drogados, os deficientes, os doentes terminais, os idosos abandonados em lares, os analfabetos, os que vivem abaixo da pobreza etc)?

Curiosamente, os dez “leprosos” não são curados imediatamente por Jesus, mas a “lepra” desaparece “no caminho”, quando iam mostrar-se aos sacerdotes. Isto sugere que a ação libertadora de Jesus não é uma ação mágica, caída repentinamente do céu, mas um processo (o “caminho” define, neste contexto, a caminhada cristã), no qual o crente vai descobrindo e interiorizando os valores de Jesus, até à adesão plena às suas propostas e à efetiva transformação do coração.

Assim, a nossa “cura” não é um momento mágico que acontece quando somos batizados, ou fazemos a primeira comunhão ou somos crismados; mas é uma caminhada, durante a qual descobrimos Cristo e nascemos para a vida nova.

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