FORMAÇÃO

SANTIDADE NO MUNDO ATUAL

Hoje em dia vivemos em um mundo onde quem decide viver a vida em santidade enfrenta muitos desafios nos mais diversos cenários, situações e realidades. Testemunhar e desejar a santidade na vida como São Domingos Sávio, por exemplo, é um indicativo de muita coragem. O mesmo Domingos Sávio redigiu um bilhete para Dom Bosco, que continha apenas cinco palavras: “Ajuda-me a ser santo”.

Ecoando este clamor de Domingos Sávio, em abril de 2018 o Papa Francisco nos presenteou com a Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual. Nos cinco capítulos desta exortação, o Papa nos oferece uma riquíssima fonte de orientação, não só para a busca da santidade, como também para que nós nos tornemos precavidos contra as investidas do mal, que quer incutir em nós outros valores que parecem normais e bons, mas que na verdade, atentam contra a vontade de Deus para as nossas vidas.

No primeiro capítulo, o Papa nos lembra que Deus nos chama à santidade desde o princípio, com as indicações deste chamado contidas já no Antigo Testamento e que santos não são aqueles que foram canonizados ou beatificados pela Igreja, mas este convite é feito a cada um de nós.

Também nos convida a exercitar a santidade nas mais diversas realidades da nossa vida cotidiana, em todos os lugares e realidades em que estivermos inseridos no nosso dia a dia e nos lembra que a Graça Batismal em nossa alma é de suma importância para que frutifique a santidade em nós.

No segundo capítulo, o Papa nos indica duas linhas de pensamentos – que ele chamou de inimigos – que desde o início do Cristianismo, confundiam as cabeças dos cristãos.

São elas: o Gnosticismo e o Pelagianismo.

Desde que essas linhas de pensamento surgiram, os santos foram os mais ferrenhos defensores da sã doutrina, contida no Magistério da Igreja. Sem entrar em muitos detalhes, essas falsas doutrinas retornam hoje em dia, com novas aparências e abordagens. Porém, encerram a mesma mensagem, de que o homem não precisa de Deus para a sua salvação. O homem pode, através de seus próprios e únicos esforços, alcançar a sua salvação, sem ter o Senhor como referência e fonte de todo o bem, o que é um grande engano.

No terceiro capítulo, o Papa nos mostra que a santidade está em profunda sintonia com as bem-aventuranças, conforme o Senhor Jesus nos ensinou no Sermão da Montanha (Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23).

As bem-aventuranças são indicadas como caminho de santidade, mesmo em meio as mais diversas adversidades, sofrimentos e perseguições, em justa contraposição, ao que indica as mais diversas linhas ideológicas atuais. É contra essas linhas ideológicas que nós devemos dar o nosso testemunho de vida e de fé, que também são bases para uma vida santa.

No quarto capítulo, o Papa apresenta a santidade no mundo e que para vivermos plenamente esse estado de vida, devemos estar abertos à ação do Espírito Santo, buscando a plenitude da vida sacramental, principalmente, na estreita ligação nossa com os sacramentos da Eucaristia e a Reconciliação, além da vida de oração e em comunidade. A partir de então, devemos nos conduzir em um caminho onde a perseverança em Deus, a paciência, a mansidão, a alegria e o bom humor, sem esquecer das realidades da vida, já que, principalmente, as humilhações e perseguições virão de encontro aos que exercitam a santidade.

No quinto capítulo, o Papa nos alerta que devemos estar atentos ao Senhor, pois toda a luta contra o pecado, buscando uma vida santa, pode ter um inimigo bem próximo: a nossa fragilidade. Essa fragilidade se expressa de maneira mais forte, quando ocorre em nós a corrupção espiritual, que, segundo o Papa, é a pior queda de um pecador, pois o mantém comodamente no pecado, através da noção de que muitas formas de pecado são lícitas. Ou seja, quando perdemos a noção da gravidade do pecado.

Por última reflexão para este tema, indicamos o exemplo de Finéias, que soube escutar e por em prática a vontade do Senhor e que, a sua perseverança na santidade, trouxe benefícios para Israel.

Finéias, filho de Eleazar, é o terceiro em glória. Ele imitou (Moisés) no temor do Senhor. Permaneceu firme no meio da idolatria do povo; por sua bondade e o zelo de sua alma, apaziguou a ira de Deus contra Israel. (Eclo 45, 28-29)

Wagner Queiroga dos Reis Santos
Instrutor do Catecumenato para adultos

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