TRÍDUO PASCAL
“Se com ele morremos, com ele viveremos” (Rm 6,8)
Meus irmãos, estamos na reta final da nossa caminhada quaresmal e este ano estamos vivendo esse período de forma diferenciada.
Aproveitemos esse tempo de isolamento social para resgatarmos o valor que as pessoas têm em nossa vida e lembrar de como precisamos uns dos outros. Estamos todos no mesmo barco, na mesma casa comum.
Tudo será mais sóbrio e essencial.
Louvado seja Deus por termos os meios de comunicação a nossa disposição.
Acompanhe a transmissão pelas redes sociais: FACEBOOK e YOUTUBE de nossa Paróquia. Isso ajudará a nos fortalecer espiritualmente, a manter a serenidade com confiança e esperança.
É nossa pequena doação a serviço do Reino, para que a nossa comunidade (paroquianos e amigos), mesmo longe das Igrejas, juntos celebremos a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus.
O Tríduo que hoje iniciamos convida-nos a fazer memória viva do Mistério Pascal de Cristo.O mandamento novo do amor, apresentado na Última Ceia, não é uma teoria, mas é a própria pessoa de Jesus, que serve aos discípulos e se doa totalmente por toda a humanidade. O gesto humilde do Lava-Pés mostra a grandeza de quem se coloca de fato a serviço da dignidade e da justiça do reino.
Segundo a dinâmica do amor serviçal, a Última Ceia não é uma despedida, mas a inauguração de um tempo novo, de novas relações construídas na fraternidade.
Na Sexta-Feira Santa, o amor chega ao ápice de sua doação. Para resgatar a dignidade filial de todos, Jesus, o Filho amado, entrega-se nas mãos do Pai Misericordioso, a fim de mostrar ao mundo que nada pode impedir a força do amor, quando vivido fielmente e sem reservas. A totalidade do amor, manifestada em Jesus, rompe nossa percepção equivocada de que tudo está perdido. O silêncio da Sexta-Feira Santa, experimentado diante da Cruz de Cristo, provoca nossa capacidade de manter viva a chama da esperança.
A liturgia da Adoração da Cruz nos convida a meditar o mistério profundo da morte d’Aquele que nos amou até o fim (cf. Jo13,1). Por isso é essencial manter o coração firme no horizonte do Sábado da Aleluia. O Ressuscitado rompe com as trevas do sepulcro e sepulta a morte para fazer renascer a vida. Jesus ressurge vitorioso, mas marcado pelas chagas, significando que sua entrega realmente foi real e total para nos libertar. Ele se entrega por nós de corpo, alma e divindade porque nos ama. Suas chagas, continuam visíveis ainda hoje em cada pessoa que sofre. Não podemos cantar Aleluia Pascal sem olhar para suas chagas. Também não podemos olhar somente as chagas sem ter a esperança viva do Aleluia Pascal.
A Vigília do Sábado Santo é considerada a mãe de todas as Vigílias, já dizia Santo Agostinho. Ela nos guia pela História da Salvação e nos faz ver que Deus sempre é fiel para com seu povo e age sempre com misericórdia e amor. Desse amor misericordioso, não somos somente destinatários e muito menos espectadores passivos. Pelo batismo, temos a missão de anunciar a ressurreição que está presente no mais profundo de nosso coração.
Não estamos apenas recordando eventos passados. O que celebramos é a fé viva em Deus, que nos ama e nos livra do pecado, que tanto diminui e destrói nossa dignidade filial. A ressurreição renova hoje nossa vida, nossas relações, nosso mundo.
Que a fé batismal, que trazemos em nosso coração, impulsione-nos a ser testemunhas vivas da Ressurreição para o mundo sedento de vida, e vida em abundância.
Vivamos o Tríduo Pascal intensamente para aderir-nos a Cristo!

