FORMAÇÃO

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

Queridos irmãos e irmãs chegamos no Domingo de Ramos, após 5 semanas do tempo quaresmal.

Neste ano, devido à preocupação com a pandemia, a missa será realizada de forma reservada. A transmissão via Facebook, visará proporcionar aos fiéis, a possibilidade de acompanhar a atividade religiosa.

Esse domingo, muito especial na Liturgia, conclui as semanas da quaresma e abre ao mesmo tempo a Semana Santa, ponto mais alto da vida Cristã, pois culmina com a Morte e Ressurreição de Nosso Senhor. Teremos o Tríduo Pascal, onde celebramos a Ceia do Senhor, sua Morte e sua Ressurreição. Serão momentos fortes, momentos que renovam nossa fé.

Santo, Santo, Santo!

A Liturgia nos traz duas proclamações do Evangelho. No primeiro Evangelho proclamamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando o povo, com os ramos nas mãos, gritam: Hosana ao Rei, hosana nas alturas…bendito o que vem em nome do Senhor. 

Momento este marcado na história, pois no rito da Eucaristia, a cada celebração repetimos as mesmas palavras proclamando o Santo, Santo, Santo! É o cumprimento da Profecia de Zacarias.

Jesus, portanto, cumpre a Profecia, de ser proclamado Rei e se apresentar como o Messias, que o povo escolhido – povo de Israel – esperava há milênios.

Depois da proclamação de Rei, vem a cruz.

A Liturgia, bem como Evangelho central deste Domingo, é a Paixão e Morte do Senhor. Como dissemos, os Ramos são a entrada, mas as Leituras e o Evangelho central se referem a narrativa da Paixão e Morte do Senhor.

Isso porque a Liturgia da Igreja é realizada a cada domingo, ou seja, no próximo Domingo será o Evangelho da Ressurreição. Entenda que nos outros dias da semana, principalmente no Tríduo, cada dia terá as suas leituras especificas.

O Servo sofredor:

Tanto a primeira leitura (Is 50,4-7), como o Salmo (21(22)), retrata o Servo obediente ao Pai, que se entregou por nós, aceitando todos os castigos, de todas as formas e violências inimagináveis.

Na primeira Leitura, o Profeta Isaias proclama:

“Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado”. (Is 50, 7-8).

E no Salmo:

“Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam”!. (Sl 21, 17-18).

Tanto o Profeta Isaias como os Salmos, profetizam o sofrimento que o Filho de Deus, o Messias, deveria passar para resgatar os pecados da humanidade e selar a nova e eterna aliança.

Já Paulo, na Carta aos Filipenses (2ª Leitura Fl 2,6-11), com a profecia cumprida e o Senhor Ressuscitado, diz que por ter aceitado todo este sofrimento, por ter obedecido, por ter se colocado na condição de servo, de escravo, o bom Deus o exaltou acima de tudo e de todos, tornando seu nome glorioso, onde até nos infernos os joelhos devem se dobrar diante do nome de Jesus. É o Senhor vitorioso.

E no Evangelho de Marcos (Mt 27, 11-54 (mais breve))  temos a narrativa completa dos dias da Paixão. São cenas fortes, mas que ao mesmo tempo nos permitem refletir sobre o quanto Jesus nos ama, intensamente.

Mas, sendo impossível, no reduzido espaço de uma formação, tecer um comentário detalhado sobre cada um dos Evangelhos que a Igreja propõe para este dia, reflitamos ao ouvi-los ou lê-los, que devemos a exemplo de Jesus, aceitar e carregar a cruz depositada sobre nossos ombros pela Providência.

Essa reflexão irá nos ajudar a ver que não há como fugir dos percalços da vida.

Mas, ao mesmo tempo, é um ensinamento profundo de quanto devemos confiar em Deus Pai e na sua providência, pois Ele jamais nos abandona. Ele não dá o fardo maior do que nossos ombros suportam carregar. São os desígnios de Deus.

O importante nesse momento é olharmos para Jesus e ver como a alternância de valores acontece muito rapidamente. Aqueles mesmos que o exaltaram foram os que gritaram: crucifica-o. Cuidado no engano dos elogios e mais cuidado ainda em seguir a multidão. Cuidado para não seguir os lobos. Cuidado!

Entraremos na semana Santa, diferente de todos os anos anteriores, não estaremos no Templo, mas estaremos em nossas casas, num clima profundo e apropriado para a reflexão, para a meditação.

Rezemos:

 “Mãe das Dores, minha Mãe, nos momentos de opressão e dificuldades, quem poderia entender-me melhor do que tu?! Consoladora dos aflitos, Auxílio dos Cristãos, concede-me algo de teu ânimo e coragem no sofrimento, para suportar tudo quanto o bom Deus previu para mim, por amor. Ajuda-me, para que tudo seja transformado em dor redentora, para mim e para todos os que me são confiados! ”

Desejamos a todos um bom domingo e uma excelente Semana Santa, semana verdadeira dos cristãos.

Por isso, ao longo desta Semana Santa, de nossas casas, nos preparemos; preparemos tudo para bem vivermos uma Semana Santa com Jesus, uma Ceia com o Senhor, uma Via-Sacra com Jesus, um descanso com o Amado, a fim de celebrarmos a Gloriosa Festa da Ressurreição.

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