27º Domingo do Tempo Comum – “SENHOR, AUMENTAI A NOSSA FÉ!” – 02 de Outubro de 2022 – Ano C
Mês Missionário – Tema: “A Igreja é missão”
Lema: “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8)
No contexto do Ano Jubilar Missionário, iniciamos o mês de outubro interpelados pelo tema da Campanha Missionária: “A Igreja é missão”; e o lema: “Sereis minhas testemunhas”. Desde o nosso batismo, já somos missionários de Jesus Cristo, mas é preciso que o Espírito Santo continuamente nos reenvie na força do seu amor
O tema da liturgia de hoje é a fé. O que vem em nossa mente quando falamos a palavra fé? Em primeiro lugar deve nos reportar à uma pessoa: Jesus Cristo. A fé é dom de Deus e consiste em uma entrega confiante.
Na primeira leitura (Hab 1,2-3; 2,2-4), Habacuc está desolado diante de tantas injustiças que vê no meio do povo de Israel, são elas: violências, iniquidades e discórdias. Elas testam a fé do povo escolhido. O texto nos apresenta a queixa do profeta que grita a sua impaciência e a do seu povo, questionando a atitude de Deus frente aos pecados. O profeta, bem como muitos de nós, questiona o Senhor e fica à espera de uma resposta. Respondendo ao clamor do profeta, Deus dá uma palavra de esperança e vitória sobre o mal. Ele não fica indiferente diante do pecado que desfigura o mundo, porém, Deus encontrará o momento ideal para intervir, para derrubar o imperialismo, o orgulho, a injustiça e a opressão. Ao homem, resta esperar com fé e paciência o tempo da ação de Deus.
Permanecer firme no ensinamento que recebeu, é apresentado na segunda leitura, (2Tm 1,6-8.13-14), onde Paulo exorta Timóteo. A comunidade, tendo escolhido a opção de doar a vida a Deus e aos irmãos, necessita a cada dia, reafirmar, aprofundar e confirmar essa decisão fundamental. As desilusões, os fracassos, a monotonia e a fragilidade humana, por vezes, abalam o entusiasmo original, por isso, é necessário a cada instante, redescobrir o sentido das opções fundamentais que um dia fizemos como discípulos. O convite a permanecer firmes nos recorda que em uma sociedade marcada pela injustiça, por crimes, pecados e maldades, se faz necessária a coerência cristã. O animador de comunidade deve permanecer na verdade do Evangelho de Jesus, fielmente transmitido pelo testemunho apostólico.
O pedido do Evangelho, (Lc 17,5-10), ressoa em nossos lábios: “Senhor, aumenta a nossa fé”, esse clamor dos discípulos surge, pois sabem das exigências do Reino. Aqui, a fé não é, primordialmente, a adesão a dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus; mas é a adesão a Jesus, à sua proposta, ao seu projeto. A imagem da amoreira arrancada e transplantada ao mar nos fala que a força da fé está na confiança que se põe em Deus, não em seu tamanho ou erudição. A fé é ato de confiança total. Não temos fé para que esta nos coloque num lugar seguro, para que nos proteja numa redoma de vidro, mas para nos deixar levar e conduzir por Deus. Cremos para caminhar.
A fé é dom de Deus. Para alguns, fé é falta de esclarecimento, de lucidez ou é passividade, estes não compreenderam a sua real dimensão: fé não é cegueira, mas visão lúcida; não é fuga, mas aproximação; não é passividade, mas confiança. A fé nos permite contemplar a realidade com os olhos de Jesus Cristo e nos ilumina no peregrinar por este mundo. Esta mesma fé ajuda a compreender que somos pobres servos.
A afirmação “fizemos o que devíamos fazer” nos afasta da arrogância, prepotência e de qualquer autojustificação farisaica. A fé nos chama a ir sempre além de nós mesmos, ao encontro de Deus e do próximo.
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