FORMAÇÃO

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM

O olhar compassivo de Jesus!

Os textos bíblicos deste 11º Domingo do Tempo Comum, nos ajudam a compreender a realidade da Igreja e nos convida a refletir sobre o amor compassivo de Jesus e a compaixão que deve impulsionar a vida e a prática de quem o segue.

O Evangelho (Mt 9, 36 – 10, 8) nos narra o chamamento e a missão dos doze Apóstolos. Por meio da Palavra inspirada, o Espírito Santo nos revela a constituição íntima da Igreja. Estas palavras são dirigidas a cada um de nós, à comunidade da qual somos pedras vivas, como um convite a reavivar o ardor da nossa vocação missionária para dilatar o Evangelho do Reino.

São Mateus nos apresenta Jesus profundamente sensibilizado pela situação de sofrimento e abandono das multidões: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.” (v. 36).

pandemia da Covid-19 continua mexendo com todas as dimensões da nossa vida: trabalhos, relacionamentos, tempo livre e lazer, vida comunitária, eclesial.

E com isto se cria um contexto que nos interpela ao cultivo de um olhar de fé e de uma espiritualidade que nos sustente diariamente, num seguimento de Jesus que se enraíze naquilo que ele nos ensinou com sua palavra e seus gestos.

Mas não basta apenas esperar de Deus a resposta para o sofrimento que estamos vivendo. Vemos claramente neste Evangelho que Jesus impulsionou um movimento que se caracteriza e deve se caracterizar pela compaixão, pelo amor, pela gratuidade.

Com essas características, a dinâmica do chamado e envio de quem segue Jesus gera o compromisso e engajamento em favor da Vida, numa atitude de compaixão que leva ao coração da realidade, se deixa sensibilizar pela situação concreta das pessoas e ali busca traduzir em gestos concretos o amor compassivo e misericordioso de Deus.

Na primeira leitura (Ex. 19, 2-6a) vemos a evocação da Aliança que Deus estabeleceu com Moisés no Monte Sinai, durante a fuga do Egito; faz de nós “um reino de sacerdotes, uma nação santa” (Ex. 19, 6a).

segunda leitura (Rm 5,6-11) nos coloca diante de uma comunidade dos discípulos é que se reconhece fundamentalmente uma comunidade de pessoas às quais Deus ama. Com base nesta certeza do amor de Deus, sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelas pessoas – um amor eterno, gratuito e absolutamente único.

Concluindo nossa reflexão, acolhamos as palavras de encorajamento do Papa Francisco na Exortação Apostólica Gaudete et Exsutate:

“Olhemos para Jesus! A sua entranhada compaixão não era uma compaixão paralisadora, tímida ou envergonhada, como sucede muitas vezes conosco. Era exatamente o contrário: era uma compaixão que O impelia fortemente a sair de Si mesmo a fim de anunciar, mandar em missão, enviar a curar e libertar….”

Reconheçamos a nossa fragilidade, mas deixemos que Jesus a tome nas suas mãos e nos lance para a missão. Somos frágeis, mas portadores de um tesouro que nos faz grandes e pode tornar melhores e mais felizes aqueles que o recebem..

Para São Francisco, a compaixão de Jesus Cristo, admirável e divinamente testemunhada na Cruz, é o coração de Deus, o coração do Evangelho, a grande bela e boa nova (Evangelho) que salva os homens porque os liberta do inferno do egocentrismo, tanto dos indivíduos como das massas, congregando-os, assim e de novo, em povo: Povo de Deus, Igreja. Uma compaixão, porém, que se desdobra em atos de misericórdia. Por isso, dizia ainda que “bem-aventurado é o homem que suporta o próximo segundo a sua fragilidade naquilo que quereria ser suportado por ele, se estivesse em situação idêntica” (Ad 18).

Que a Virgem Mãe das Dores continue intercedendo por nós. Amém!

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