FORMAÇÃOLITURGIA DIÁRIA

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ‘O que é de César e o que é de Deus’

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES E DA OBRA PONTÍFÍCIA DA INFÂNCIA MISSIONÁRIA

Situando-nos:

A Liturgia deste Domingo nos mostra os fariseus, após Jesus ter demonstrado sua autoridade, saindo derrotados de perto dele, mas com a a intenção de continuarem tentando apanhá-lo em alguma contradição.

Assim, enviaram discípulos e um grupo de Herodianos para colocar Jesus, mais uma vez, em situação difícil.

A pergunta do grupo enviado pelos fariseus tinha cunho político: o imposto a ser pago em moeda romana – “É lícito ou não pagar imposto a César?” (Mt 22,17).

Jesus, sabendo da malícia da pergunta, devolve com outra pergunta: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?”. Na referida moeda, está o rosto de César e, assim, Jesus lhes responde: “Daí, pois, a Cesar o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

A resposta de Jesus é clara e objetiva: há um limite à contribuição para César e, ao mesmo tempo, é dito que há coisas que não são de César, pertencem a Deus, portanto é preciso distinguir exatamente do que se trata.

Recordando a Palavra

Na Primeira Leitura (Is 45,1.4-6), Isaías narra a investidura de Ciro, o rei da Pérsia, como instrumento de Deus. A missão confiada a Ciro: ser agente de salvação para Israel. Esse rei, pagão e estrangeiro, deveria conduzir o povo eleito pelo Senhor de volta à terra e ser benfeitor na reconstrução do Templo de Israel. O profeta evidencia que Deus, por mãos humanas e estrangeiras, trará o remanescente de Israel de volta à sua pátria.

Não se espera a conversão de Ciro à fé judaica, ele é meramente instrumento de Deus para seu povo e para o mundo (Is 45,4-6).

A carta de Paulo desta Segunda Leitura (1Ts 1,1-5b) foi escrita apenas meses depois da organização da comunidade. É uma comunidade jovem, cheia de entusiasmo após uma rápida evangelização.

Os participantes desta comunidade são chamados de irmãos, termo usado 19 vezes – e, se foi usado tantas vezes, em um documento tão pequeno, para uma comunidade tão nova e de cultura diversa, é porque deveria existir entre lês uma dimensão profunda de amizade e fraternidade.

O Salmo 95(96) é um hino triunfal ou um cântico exultante em honra ao Senhor. O Salmista incentiva todos a cantarem louvores à realeza universal do Senhor. Dezessete vezes em treze versículos é feito o convite para louvar o Senhor.

No Evangelho (Mt 22,15-21) deste domingo, sobre o tributo que deve ser dado a César, está inserido em um conjunto de conflitos entre Jesus e as autoridades, mas Jesus está consciente da astúcia da pergunta deles.

Atualizando a Palavra

Os adversários de Jesus vão ao encontro dele e, após bajulá-lo com elogios, lançam a pergunta desafiadora: Deve-se ou não pagar imposto a César?

O imposto a César era mais um tributo cobrado pelo Império Romano. Além disso, a controvérsia não consistia apenas em um debate econômico, mas envolvia uma “questão de fé”.

Pagar imposto ao imperador era reconhecer o “deus César”, em contraste com o Deus de Jesus, e legitimar a servidão.

O Mestre entendeu perfeitamente a hipocrisia deles e aonde queriam chegar.

A resposta de Jesus – dar a César o que é dele e a Deus o que lhe pertence – mostra que não é lícito César tomar o lugar e o nome de Deus. Tudo a Deus pertence.

Também não podemos usar esse texto para justificar taxas, impostos e duas realidades (Igreja e Estado) distintas. Não podemos adorar a Deus e a “César”, nem negar os direitos de Deus sobre o povo que lhe pertence e é sua maior e melhor propriedade: “Compromisso político e Compromisso Cristão”

Esta palavra de Jesus é rica de conteúdo antropológico, e não pode ser reduzida unicamente ao âmbito político. Portanto, a Igreja não se limita a recordar aos homens a justa distinção entre a esfera da autoridade de César e a de Deus, entre o âmbito político e o religioso. A missão da Igreja, como também a de Cristo, consiste essencialmente em falar de Deus, fazer memória da sua soberania, recordando a todos, especialmente aos cristãos que perderam a própria identidade, o direito de Deus sobre aquilo que lhe pertence, ou seja, a nossa vida”. Papa Bento XVI

Oração

Ó Jesus, divino Mestre, munidos de malícia, dois grupos se unem na tentativa de fazer-te cair na armadilha de seus raciocínios. Um bando de hipócritas. Falsos, não buscam seguir teus ensinamentos; querem eliminar-te. Ensina-nos a juntar as forças para gerar e promover o que é bom e justo. Amém.

“A justiça é a firme e constante vontade de dar a cada um o que lhe cabe”. Santo Tomás de Aquino

Alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, meios que nos conscientizam de nossa vocação cristã, devemos ter a certeza de que Jesus nunca nos abandonará no nosso compromisso cristão.

Abençoado Domingo a Todos sob a intercessão de Nossa Mãe, Maria Santíssima! Amém!

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