SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS – ‘As bem-Aventuranças’ – 1 de Novembro
Comemoramos, na festa de hoje, a Solenidade de Todos os Santos que, por sua fé, buscaram a deus, vivenciando a sua Palavra e reverenciando os atos salvíficos realizados na história. A certeza dessa comunidade reunida, em comunhão com a trindade santa, é celebrada e afirmada com toda a igreja na oração do nosso Credo.
Assim, na unidade com todos os Santos, a Igreja peregrina, que caminha neste mundo, celebra sob a inspiração da igreja Triunfante, as Bem-Aventuranças anunciadas por Jesus no sermão da Montanha.
Deus assegurou a eterna Bem-Aventurança aos que vivem o amor, a justiça e a paz. Podemos dizer, então, que essa é uma festa da esperança, pois nos faz viver, juntos aos nossos irmãos que já gozam da presença de Deus, na escuta e na obediência, também seremos convidados a participar dessa cidade santa e triunfante.
Na Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14), São João, em uma visão antecipada da abertura do sétimo selo, nos descreve que os servos de Deus são selados com a marca da proteção divina, para identifica-los como propriedade e garantia de suas almas. Ao mesmo tempo, destaca que o Senhor os acolheu após grandes perseguições e tribulações, dando-lhes um futuro glorioso, comtemplado nessa visão. Na linguagem apocalíptica, essa roupa branca é vestida por quem alveja suas vestes no sangue do cordeiro, ou seja, passa pelas tribulações e perseguições a ponto de se identificar com o cristo crucificado. Fica claro no texto joanino que a salvação e a santidade que adquirimos não foram mérito nosso, pertencem a Deus e ao Cordeiro.
O Salmo Responsorial 23(24) revela o Santuário do Senhor, o rei da glória que honra e recompensa suas ovelhas.
Na Segunda Leitura (1Jo 3,1-3), o Apóstolo João nos assegura o amor de Deus, que nos dignifica fazendo-nos seus filhos. Esse é o propósito do amor de Deus. Tal relacionamento deve gerar em cada um de nós uma conduta, ou seja, um justo viver correspondente a esse amor divino. Quando morrermos, segundo João, nós nos tornaremos semelhantes a Deus, porque o veremos como Ele é (1Jo 3,2).
É o amor dado por Deus que nos incentiva à vida santa. Aqueles que possuem essa esperança se purificam continuamente em sua caminhada diária.
As Bem-aventuranças no Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12 a) mostram que há muitas maneiras de participar do Reino de Deus, mas podemos tomar como ponto de partida do sermão a norma: “se vossa justiça não superar a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (5,20).
Portanto, a conduta dos cristãos deve ultrapassar a dos homens sábios e piedosos anteriores a Cristo. O sermão propõe uma conduta nova, que deve caracterizar a conduta dos cristãos, ou seja, uma conversão do modo de pensar e amar que leve o discípulo de Cristo a uma novo comportamento visível.
O texto do Evangelho é composto por duas estrofes simetricamente dispostas – v.3-6 e 7-10. Em cada uma delas, há quatro Bem-Aventuranças. A promessa do Reino ocorre no início da primeira estrofe e no fim da segunda. Podemos dizer que as duas Bem-Aventuranças, a primeira e a última, sintetizam as outras, ou seja, as outras Bem-Aventuranças não são mais do que esclarecimento dessas duas.
A igreja Peregrina é chamada a caminhar rumo à Igreja Triunfante, na certeza de que a santidade é o único meio de acesso. A busca da santidade é o aperfeiçoamento da graça de Deus em nossa vida. A realidade da solenidade que vivemos na celebração de hoje e a comunhão com deus e com os irmãos nos enchem de vigor e esperança, junto à convicção de que, nas lutas do dia a dia, é a Cruz de Jesus que devemos ter como exemplo. A Eucaristia nos dará força para viver a cruz do dia a dia juntos aos Santos, a quem rezamos e que oram para nossa vitória cristã. Essa é a razão para celebrarmos, em comunhão com Deus e com os Santos, a festa de hoje.
A “fé oferece a possibilidade de, em Cristo, comunicar-se com os irmãos queridos já levados pela morte, trazendo a esperança de que eles alcançaram a verdadeira vida junto a Deus”. (GS, n.18)*
A entrega da vida tem consequências? Claro que sim! Mas Jesus também chama de felizes quem as assume: os aflitos, os perseguidos por causa da justiça, os insultados e caluniados. “Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu.” É grande a recompensa nesta outra dimensão que já se faz presente aqui e será plena depois – a vida com Deus, como seus filhos e como irmãos de todos.
Peçamos ao Espírito que nos conduza e à Igreja celeste que interceda por nós, Igreja militante, em nossa peregrinação.
*CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Gaudium et Spes. In: SANTA SÉ. Concílio Ecumênico Vaticano II: Documentos. Brasília: edições CNBB, 2018, p.199-329
Santo e abençoado domingo para todos!
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