SEXTA FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR – ADORAÇÃO DA CRUZ – 15 de abril de 2022 – Ano C – Dia de Jejum e Abstinência
“NINGUÉM ME TIRA A VIDA, SOU EU QUE A DOU LIVREMENTE”.
Este aspecto da livre entrega de Jesus é o ponto alto do relato da paixão no Evangelho de João. Jesus se entrega livremente. A sua morte não é uma
decisão do Pai, decretada desde a eternidade. Tampouco são os homens que lhe “tiram a vida”. É uma opção de Jesus, em favor de toda a humanidade, por amor aos seus. Foi a sua fidelidade ao Pai que o levou a não fugir da morte. Quem decidiu que Ele deveria morrer foram as autoridades judaicas, com o aval do povo manipulado e com a omissão do governo romano. As forças contrárias a Ele foram como uma terrível onda que o arrastou para a morte.
Mas ao invés de salvar a si mesmo, fugindo da morte, e deixar perder seus irmãos, Jesus ofereceu-se e aceitou morrer por amor a nós e por fidelidade
ao Pai. É ele que “entrega” a sua vida. “Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que sofreu”. Eis aqui uma realidade que jamais poderemos compreender totalmente! O Filho eterno, o Filho que viveu sempre na intimidade do Pai, o Filho infinitamente amado pelo Pai, no seu caminho neste mundo, aprendeu a descobrir, cada dia, a vontade do seu Pai e a ela obedecer! Mais ainda: esta obediência lhe custou lágrimas, fê-lo sofrer! Toda a existência do Senhor Jesus foi uma total dedicação ao Pai, uma absoluta entrega, no dia a dia, nas pequenas coisas. Jesus foi procurando e descobrindo a vontade do Pai nos acontecimentos, nas pessoas, nas Escrituras e, pouco a pouco, foi percebendo que esta vontade o estava levando à cruz. E ele, nosso Salvador, “com forte clamor e lágrimas”, foi se entregando, se esvaziando, se abandonando.
A vida de Jesus neste mundo foi de total entrega ao Reino e obediência ao Pai. Vemo-lo de modo dramático no Horto da Agonia: “Abá! Pai! Tudo te é
possível: Afasta de mim este cálice! Contudo, não seja feito o que eu quero, mas sim o que tu queres!” (Mc 14,36).
Para o Senhor, como para nós, a vontade do Pai tantas vezes pareceu enigmática, e Ele teve que discerni-la e descobri-la entre trevas densas e dolorosas! Mas, ao fim, como é comovente a entrega total do Cristo: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23,46). “Em tuas mãos, meu querido Pai, eu me coloco, eu me abandono!” Para nós, o Filho é modelo e caminho de amor ao Pai! Ser cristão é entregar-se ao Senhor Deus como Ele se entregou! E esta entrega total ao Pai foi por nós: “Cristo por nós se fez obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2,8).
“Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. Isto é, tornado perfeito na obediência, consumando toda a sua existência humana de modo amoroso e total, entregando-se ao Pai por nós, Ele se tornou causa da nossa salvação! Vede, irmãos: não se oferece mais ao Pai sacrifícios de vítimas irracionais e impessoais! Agora é o próprio Cordeiro santo e imaculado que, com todo amor do seu coração, com toda dedicação de sua alma, se oferece livremente por nós todos! Por isso ele “tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”, isto é, desde que nós entremos na sua obediência e dela participemos na nossa vida!
Entremos nessa obediência bendita e amorosa do nosso Senhor: façamos de nossa vida uma entrega total ao Pai com Jesus: entrega de nossos atos, pensamentos, afetos, negócios, vida familiar e profissional, decisões e escolhas, de nossas relações humanas. Tudo, absolutamente tudo, ofereçamos ao Pai com Jesus e por Jesus e entraremos na salvação
que Ele nos trouxe por sua cruz!
Não esqueçamos: nesta santíssima Sexta-feira da Paixão, somos convidados a não somente contemplar, admirados, a obediência total do Filho querido ao Pai amado, mas também somos interpelados a participar na nossa vida
dessa mesma obediência!
É assim que Cristo é causa de salvação para nós!
Podemos pedir neste dia: “Senhor Jesus, que o teu sublime exemplo de amor ao Pai e a nós, nos comova e converta o coração, tire-nos da preguiça espiritual e de uma vida cristã morna e tíbia!” Contudo, contemplemos a dor da morte do Filho colocando junto à cruz de Cristo todos aqueles que sofrem; por hora, morramos com Cristo na firme esperança de que se com Ele nós morremos, com Ele também alcançaremos a vida em plenitude, a Ressurreição.
Liturgia da Palavra:
- PRIMEIRA LEITURA: Is 52,13–53,12
- SALMO RESPONSORIAL: 30(31)
- SEGUNDA LEITURA: Hb 4,14-16; 5,7-9
- EVANGELHO: Jo 18,1–19,42
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