Quinta-Feira Santa – Ceia do Senhor – “DEI-VOS O EXEMPLO” – 14 de abril de 2022 – Ano C
Na Quinta-feira Santa celebramos o Amor de Jesus até o extremo, a radicalidade de sua ternura que se faz cuidado para com a humanidade ferida. Não é só o dia do amor fraterno, mas do amor pleno, em todas as suas dimensões, tal como se revelou na vida e mensagem de Jesus, culminando neste dia através de quatro expressões: É Amor de Ceia, compartilhar o pão e o vinho (Eucaristia), em gesto de comunhão aberta a todos os homens e mulheres da terra, amor que protesta contra a fome e marginalização de milhões de pessoas.
É Amor de Lava-pés, ou seja, de serviço concreto aos outros, na casa, no trabalho, nas relações. É lavar os pés, dar dignidade a quem está próximo ou distante, em gesto concreto de compromisso e ajuda humana. É o Amor do Novo Mandamento, o único mandato de Jesus, que marca a identidade dos seus seguidores.
É Amor que se institui em forma de Ministério concreto de serviço aos demais. Este é o dia do sacerdócio, que não é posição de poder sobre os outros, mas um modo de viver, acompanhando e ajudando os outros, homens e mulheres, a viverem o Reino de Deus no amor. Jesus pede aos seus que amem, que se lavem os pés, que se ajudem e sirvam a todos. Esta é sua Páscoa na Quinta-feira Santa.
Jesus, antes de se deixar no Sacramento do Pão, desejou ardentemente cear com os seus, Ele teve fome, desejo ardente, motivação. A mesa e a refeição sempre foram lugares sagrados do pão, dos afetos, dos desejos de relações livres, de compromisso, de justiça e de solidariedade vividos por Ele
durante sua peregrinação. Passando de mesa em mesa, até se fazer alimento, numa mesa de refeição e de festa Jesus institui a sua Páscoa.
Podemos dizer que a mesa tem um quê de mistério pascal, pois ela nos capacita para acolher o inesperado. Nela, o coração humano encontra repouso, alento, força e vigor para caminhar com sentido de viver no mundo que o cerca, ora em sua paixão, ora em sua morte, mas também em sua ressurreição, até que toda a Criação seja plenificada em Deus.
O importante é que estejamos à mesa, para que nada seja perdido aos nossos olhos, mas sim resgatado, redimido pelo mistério do encontro. Mesa
criativa, solo de onde brota o alimento material, emocional, psíquico e espiritual em suas múltiplas formas, cores, aromas e sabores do Reino do Pão e da Festa da Vida.
A grande e sublime refeição foi a Última Ceia que se apresenta como o ápice de todas as refeições que Jesus participara com diferentes pessoas, porque nela desembocam as aspirações de todos os tempos. Em nossas liturgias o altar nos recorda, por excelência, que somos povo peregrino: paramos para nos alimentar na Mesa da Palavra e da Eucaristia, mas continuamos nossa caminhada rumo ao Reino definitivo.
No Evangelho de hoje (Jo 13,1-15), Jesus revela aos apóstolos um novo modo de ver as coisas, não a partir do lugar dos comensais, mas a partir da perspectiva de quem não está sentado à mesa. Fica claro que não é normal que haja pessoas excluídas da refeição, quando todos fomos criados para sentarmos como irmãos e irmãs na mesma mesa do Pai. Enquanto houver excluídos não será o banquete que Jesus quis. Portanto, será necessário cair-nos na conta da exigência de mudança para que todos os excluídos e marginalizados possam participar. Somente fazendo-nos solidários na promoção e libertação daqueles que não se sentam à mesa comum poderemos realizar, na verdade, a prática do sacrifício de Jesus.
Não é possível reconhecer o Corpo do Senhor presente na Eucaristia se não o reconhecemos como Comunidade, lugar em que alguns passam necessidades. Pois, se fechamos os olhos às divisões e às desigualdades mentimos ao dizer que Cristo está presente na Eucaristia. Enquanto não nos mobilizamos para mudar nossa sociedade, de maneira que mais pessoas aceitem a alegria de compartilhar o pão e a vida, faltará algo em nossa Eucaristia. Nela, Jesus comunica o seu amor por nós: um amor tão
grandioso que nos nutre e nos faz regenerar as próprias forças. Que saibamos reconhecer sempre o Cristo presente na Eucaristia, na assembleia reunida, que é seu Corpo, naquele que preside no amor serviço este memorial e no gesto concreto do serviço aos irmãos e irmãs. A Eucaristia deve ser sempre o centro da nossa vida, pois Ela é o Novo Mandamento do Amor.
Leituras :
- PRIMEIRA LEITURA: Ex 12,1-8.11-14
- SALMO RESPONSORIAL: Sl 115(116)
- SEGUNDA LEITURA: 1Cor 11,23-26
- EVANGELHO: Jo 13,1-15
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