14º DOMINGO DO TEMPO COMUM
A acolhida do rei justo e humilde
Hoje é dia de nos reunimos em assembleia litúrgica para celebrar o Dia do Senhor e louvar o Pai que, pela força do Espírito Santo, nos santifica em Cristo, nosso Senhor. Ele vem para nos salvar do pecado e do mal e realizar em nós sua obra de salvação.
A liturgia deste domingo quer acentuar não a figura de Jesus, rei manso e humilde, e sim a reação da Igreja ao seu Senhor que vem.
Em toda a liturgia, o foco está na possibilidade de recusa ou de acolhida do enviado de Deus, Jesus Cristo, e de seu projeto de salvação para a humanidade.
Uma primeira consideração a ser tecida tem a ver com a noção de acolhida que perpassa as três leituras:
Na primeira, como convite a festejar a chegada do rei:
Esta Leitura (Zc 9,9-10) traz o convite à alegria dos tempos messiânicos: “Exulta, cidade de Sião; rejubila, cidade de Jerusalém” (v. 9). Após o convite à alegria, à festa, vem a razão para essa alegria: a chegada do rei. Não de qualquer rei, porém. O rei esperado é justo, é salvador, é humilde e pacífico.
A Segunda Leitura (Rm 8,9.11-13), tirada da carta aos Romanos, liga-se à primeira e ao Evangelho pela noção de receber, acolher uma vida que não se ajusta bem com a perspectiva terrena de então.
Isso vem expresso, no texto, pela contraposição entre “vida segundo a carne” e “vida segundo o Espírito”. Só uma vida vivida segundo o Espírito de Deus é realmente vida. E esta nos é assegurada pela união espiritual com Jesus Cristo.
Viver sob o jugo de um rei pacífico, manso, humilde não é um fardo pesado.
O Evangelho (Mt 11,25-30) deste domingo tem um caráter de censura aos que endurecem o coração e não conseguem entender, perceber e reconhecer a revelação divina.
Ao mesmo tempo, apresenta, em forma de prece, revelação e convite, um apelo a aproximar-se de Jesus, o rei justo, manso e humilde de coração, que tomou como projeto viver como filho de Deus.
As palavras de Jesus, nesse trecho do Evangelho, parecem um tanto enigmáticas. Afinal, quais são as coisas que o Senhor “escondeu aos sábios e entendidos” e revelou aos pequeninos?
A chave para compreender essa estranha palavra de Jesus se encontra nos textos anteriores a este, pois Jesus falava antes da condição de João Batista como profeta e precursor, e das reações ao ministério de João e ao seu próprio.
Há uma resistência a acolher os enviados de Deus. Há certa repulsa da mente para reconhecer neles a qualidade de enviados de Deus. É disso que Jesus fala quando diz que o Senhor escondeu “estas coisas” aos sábios e entendidos. Aos que assim se consideravam, não restava nada a aprender, a conhecer.
Para os pequeninos, tudo é motivo de alegria e aprendizado. Só Jesus conhece inteiramente o Pai; portanto, só ele é capaz de revelar o próprio Deus e seus planos, pois Deus não pensa nem age como os humanos.
Apesar das inúmeras mudanças que estamos sendo submetidos para participar da Santa Missa, continuemos em oração para que toda essa fase difícil passe. Com Jesus no barco, não há tempestade que não se cale! Abençoado domingo a todos!

