15º DOMINGO DO TEMPO COMUM
A Liturgia de hoje nos apresenta uma parábola onde temos uma imagem muito rica da semeadura, que só encontra seu real sentido no sentido oculto do texto.
Ali, entendemos que o ponto principal não é a semente nem o semeador, e sim o solo no qual cai a semente.
A semente lançada é a Palavra, o ensinamento do Reino. Daí se entende que o semeador é o próprio Jesus. Os solos são quatro: o situado à beira do caminho, o solo pedregoso, o solo espinhoso e o solo bom.
A cada um se explicita uma dificuldade para que a semente germinada dê frutos. Ao final, só o solo bom dá fruto. Mesmo este, porém, não tem paridade na quantidade de frutos que produz: um dá cem, outro sessenta e outro trinta.
Isso guarda a diversidade entre aqueles “solos” bons que acolhem bem a Palavra e lhe permitem germinar e se fortalecer o suficiente para produzir frutos.
Na profecia de Isaías, Primeira Leitura (Is 55,10-11) mais que a imagem do campo, temos a imagem da chuva, que prepara e dá condições para a semeadura. Esse elemento aproxima-se da parábola da semeadura no Evangelho de Mateus pela referência à Palavra, que no Evangelho é indicada como “a Palavra do Reino” (v. 19).
Na Segunda Leitura (Rm 8,18-23) tirada da carta ao Romanos, o autor da carta entende que os sofrimentos da comunidade são “as dores” que antecedem o momento do nascimento.
São fortes essas palavras e que nos levam a formar uma imagem em mente: São dois elementos opostos: “dor atroz” seguida de “enorme alegria”.
O sofrimento não terá nenhuma importância no momento em que “nascerem”, se revelarem, os filhos de Deus. Neles, toda a criação será libertada e restaurada.
Do mesmo modo que a semente precisa “morrer”, passar pelo processo de corrupção, para germinar, assim a criação experimenta a sensação de destruição para chegar à libertação.
Seguindo a linha de raciocínio da primeira leitura e do Evangelho (Mt 13,1-23), a segunda leitura indica que a comunidade cristã primitiva se entendeu como aquele solo bom no qual a semente germina e dá cem, sessenta e trinta.
Por isso, os sofrimentos do tempo presente não a afetarão, porque ela não é o solo pedregoso que desistiria diante do sofrimento ou da perseguição por causa da Palavra.
No entanto, os membros da comunidade cristã são apenas os primeiros frutos num campo vasto a ser ainda cultivado, semeado. A Palavra (semente) ainda deve ser lançada em todos os solos, para que se revelem os filhos de Deus.

Os cristãos – das primeiras comunidades e de hoje – são chamados a se manterem como solo bom, sem permitir que a alegria da acolhida inicial da Palavra do Reino seja perdida ou sufocada, mas produza frutos com base na sua escuta e compreensão.
Como uma semente, o Reino, embora silencioso e oculto, está prestes a despontar.
Estejamos preparados para ver os frutos da semeadura, a manifestação dos filhos de Deus!
Que a ‘vacina’ da Misericórdia possa curar o mundo inteiro!

