5ª SEMANA DO TEMPO COMUM – Sábado – 13 de Fevereiro – Mc 8,1-10
A liturgia de hoje nos apresenta um milagre que curiosamente é descrito por todos os quatro evangelistas: a multiplicação dos pães. Aparentemente, para as primeiras comunidades cristãs, este evento teve um impacto profundo, de tal forma que se tornou referência unânime na caminhada espiritual dos discípulos de Jesus. Mas, quais são os dados tão relevantes desta narrativa? Muito mais do que o aspecto “fantástico” da multiplicação física do alimento, a narrativa de Marcos que meditamos hoje nos apresenta alguns aspectos fundamentais da doutrina cristã.
Em primeiro lugar, a ação do Cristo que sacia a fome das multidões é motivada única e exclusivamente pela gratuidade da compaixão do coração de Jesus. Vendo a fidelidade do povo que o seguia (impossível não reparar aqui o simbolismo do número três: “já faz três dias que eles estão comigo”) Jesus é movido de compaixão e não permite que seus discípulos retornem fracos e desamparados às suas casas. É necessário alimentá-los, pois muitos “vieram de longe”, ou seja, fizeram uma longa caminhada existencial, de conversão, renúncias e entregas para que pudessem estar na companhia do Mestre.
O Senhor, portanto, não desconsidera nossa luta diária em busca da coerência pela construção do Reino. Mas, ao contrário, sacia em abundância todas aquelas necessidades que nos impedem de progredir no caminho da fé.
No entanto, é importante notar também que tratamos aqui de uma “multiplicação” de pães e peixes que foram oferecidos pelos discípulos. Jesus, embora pudesse agir assim, não faz surgir o alimento do nada, mas conta com a força da partilha e colaboração humana para que o milagre aconteça.
O Senhor, que é bondoso e compassivo, não abre mão também da generosidade dos homens e mulheres de boa vontade que se dispõe a serem intermediadores da sua graça. Enquanto é Jesus que parte e faz aumentar o alimento, são os discípulos que o distribuem ao povo faminto. Há, portanto, na comunidade dos fiéis um sinal permanente: a solidariedade dos cristãos colabora na manifestação do dom de Deus, na medida em que esteja constantemente disponível a aliviar o sofrimento do próximo. Se nossos recursos são poucos, o Senhor os multiplicará.
Jesus não para diante das dificuldades que são apresentadas, porque sabe que o amor supera todas as dificuldades. Jesus leva as outras pessoas a sentirem compaixão com ele e assim colaborarem na superação dos problemas. Os discípulos colaboram na medida em que organizam o povo e distribuem os pães. Outros contribuem também doando os sete pães, que poderiam garantir o próprio sustento.
Assim, a compaixão cria uma rede de solidariedade que supera a fome no deserto.
- Leituras do Dia:
- Gn 3,9-24
- Sl 89(90)
- Mc 8,1-10
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