FORMAÇÃOLITURGIA DIÁRIA

4º Domingo da Páscoa – DOMINGO DO BOM PASTOR E 59º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS E RELIGIOSAS – 08 de Maio de 2022 – Ano C

O CORDEIRO É O PASTOR DA HUMANIDADE

A liturgia de hoje nos apresenta um paradoxo importante: o Pastor é o Cordeiro.

Estranho pensar assim, pois ambas as figuras parecem opostas uma a outra, aliás, pensa-se sempre numa em função da outra: o pastor é o guia e cuidador, o cordeiro é aquele que é guiado e cuidado pelo pastor.

Para João, é fundamental identificar Jesus como o “Cordeiro de Deus”. Ele faz isso em seu Evangelho, desde os primeiros capítulos, e também no Apocalipse. No Evangelho – Jo 10,27-30, Jesus é o Cordeiro conduzido ao matadouro. Servo obediente e fiel, que passa, em primeiro lugar, pela grande tribulação, preparando o caminho para os que são seus. E no Apocalipse, este Cordeiro como que imolado está sentado no trono e apresenta-se cheio de poder e domínio sobre a terra, sobre exércitos de homens e anjos, e recebe a adoração.

Os que pertencem ao rebanho do Cordeiro, são as ovelhas que escutam a sua voz e o seguem. Assim nos diz a Primeira Leitura ((At 13,14.43-52) quando mostra Paulo pregando o Evangelho de Jesus na sinagoga. Num primeiro sábado, acolhe piedosas pessoas convertidas ao judaísmo que passam a segui-lo. No sábado seguinte, no entanto, é rejeitado pelos judeus. Estes ficam com inveja ao verem a multidão que se reúne em torno dele para ouvir a Palavra de Deus, de onde ressoa a voz do Cordeiro. Nesse momento, ocorre uma virada importante na missão de Paulo: depois de anunciar aos judeus, dirige-se definitivamente aos pagãos.

Os pagãos se alegram com isso e glorificam a palavra do Senhor e “todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé“, como poderemos ver relatado na passagem (At 13,48). O motivo desta virada é a universalidade da salvação.

Vemos que o sangue de milhões de cordeiros, bodes e outros animais não foi capaz de realizar o que o sacrifício do Cordeiro de Deus realizou: tirar o pecado do mundo. E esta graça alcança a vida de todos aqueles que escutam a voz de Jesus e, com alegria, o seguem, permitindo que a sua vida seja banhada no Sangue que lava e purifica de toda sujeira do pecado.

Este ato tão nobre da parte de Deus não pode ficar reduzido a uma nação, mas deve ser anunciado a todos, pois a salvação deve chegar aos confins de toda a terra. A visão que está na leitura do Apocalipse (2ª Leitura – Ap 7,9.14b-17) mostra bem: no Reino do Cordeiro, adorem-no a “multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar” (Ap 7,9).

“Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão” (Jo 10,28). O Cordeiro imolado, que está sentado no trono, o Cordeiro-Pastor, nos conduz com sua voz pelos caminhos que levam à vida eterna.

Por isso, é importante nos perguntarmos sobre o modo como temos dado atenção à Palavra de Deus: se como verdadeiras ovelhas do Cordeiro-Pastor, que ouvem a sua voz e a seguem, ou como os judeus da primeira leitura, movidos por seus próprios interesses e fechando o coração.

O modo específico para escutarmos a voz do Cordeiro-Pastor e viver como Ele viveu; passar pelas tribulações com confiança nas promessas do Reino; testemunhar o amor do Pai com fidelidade.

Como Cordeiro, Jesus se faz igual a nós, para que nos sintamos acolhidos e representados n’Ele e, de modo especial, sintam-se acolhidos e representados os pequenos e sacrificados da sociedade. Como Cordeiro, ele é humilde, não levanta a voz contra a vontade de Deus, não objeta nada, mas se põe em atitude de obediência e doa-se totalmente por todos, sem excluir ninguém. Em Jesus trilhamos o caminho do amor vencendo as tribulações.

Num mundo marcado por divisões, disputas, incapacidade de diálogo, e crescimento do preconceito e do ódio, mais ainda precisamos parecer como ovelhas do Cordeiro-Pastor da humanidade. Em Cristo podemos eliminar as divisões, cessar as guerras, parar com a violência. N’Ele somos sinais da comunhão, unidade, justiça e paz. Jesus é o Bom Pastor que nos conduz e acolher no Reino: “aquele que está sentado no trono nos abrigará em sua tenda… porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será nosso pastor e nos conduzirá às fontes da água da vida” (cf. Ap 7,15.17).

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