FORMAÇÃO

3º DOMINGO DA QUARESMA

ENCONTRO TRANSFORMADOR

Quaresma é um tempo que nos leva ao esplendor da noite pascal, tempo de revisão de vida, tempo em que desejamos aquilo que a sede provoca em nós.

Tempo de renovar nosso mergulho batismal na morte e ressurreição do Senhor. O encontro de Jesus com a mulher de Samaria faz parte do patrimônio da quaresma.

E Jesus nesta passagem (Evangelho Jo 4,5-42) se mostra necessitado. Pede água a uma mulher da Samaria, terra considerada impura pelos judeus.

E assim, provoca nela a abertura a sua palavra, chamando ao encontro pessoal, ao diálogo, que é a única forma das pessoas se conhecerem verdadeiramente.

Com isso, faz a samaritana reconhecer-se necessitada também, não de uma ‘água de poço’, mas de algo que sacie a sede de Deus, a sede de vida eterna.

O “poço” acaba por transformar-se, na tradição judaica, num elemento mítico. Sintetiza os poços abertos pelos patriarcas e a água que Moisés fez brotar do rochedo no deserto (Primeira Leitura Ex 17,3-7);

Mas, sobretudo, somos chamados a ver que é Deus que está sempre presente na caminhada histórica do seu Povo oferecendo-lhe, em cada passo da caminhada, a vida e a salvação.

A Segunda Leitura (Rom 5,1-2.5-8) repete, em outros termos, o ensinamento da primeira: Deus acompanha o seu Povo em marcha pela história; e, apesar do pecado e da infidelidade, insiste em oferecer ao seu Povo – de forma gratuita e incondicional – a salvação.

A história de Jesus com a samaritana é um exemplo claro da afirmação do próprio Cristo: “Eu vim chamar os pecadores à conversão”. Essa frase Jesus a pronunciou muitas vezes e são descritas por vários evangelistas, além de Mateus.

E por que essa Palavra traz um “choque”?

Porque os hebreus evitavam os pecadores. No caso da samaritana, além de ser ‘pagã’ e de vida desregrada, era mulher. E nenhum rabino perdia tempo em passar ensinamentos a mulheres. Jesus hoje dá um exemplo da verdadeira misericórdia: abriu o coração a uma pessoa necessitada de ajuda.

Com essa bela reflexão, que a Liturgia traz para nós neste Domingo do Senhor, vamos saciar nossa sede na água que Jesus nos oferece.

Certamente vamos nos tornar mais solidários e menos solitários; mais inclusivos e menos seletivos; mais adeptos do abraço e menos dispostos a nos apedrejar por conta de nossas faltas e limites, dores e sofrimentos que, uns mais, outros menos, todos nós carregamos nesta vida.

Nesta semana, procuremos aprofundar esta relação que somos convidados a viver com Deus e com os nossos irmãos.

Fonte: Reflexão baseada nas leituras da revista Igreja em Oração – Nossa missa no dia a dia – Ano V – Nº 63 – Ano A – Março – 2020, CNBB, págs. 67-71; Reflexões e Sugestões Litúrgicas 2020 – Editora Santuário.

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