FORMAÇÃO

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM – DIA NACIONAL DA BÍBLIA

A Liturgia de hoje continua nos apontando o plano salvífico de Deus, com ênfase em um novo dado: a responsabilidade e a liberdade pessoal tão bem ilustradas por Ezequiel no Antigo Testamento e por Jesus no Evangelho de Mateus.

Neste dia também comemoramos o Dia Nacional da Bíblia. O Livro Sagrado é um tesouro que cada família e comunidade precisa redescobrir, para se tornar mais autêntica no seguimento de Jesus.

Que esta Liturgia nos ajude a perceber e acolher os mistérios do Reino revelados pela Palavra de Deus que se traduzem em gestos concretos de promoção e defesa da vida.

  • Leituras de Hoje:
  • Ez 18,25-28
  • Sl 24
  • Fl 2,1-11 ou mais breve 2,1-5
  • Mateus 21,28-32

Na Primeira Leitura (Ez 18,25-28) somos remetidos ao tempo do exílio; o profeta fez parte da primeira leva de exilados deportados para a Babilônia.

E é nos apresentado um tipo de debate com Deus. Os exilados julgam proceder de Deus, em meio as suas provações. Tendem a culpar Deus e os seus antepassados por suas angústias e aflições.

O profeta aponta a necessidade e o valor da conversão individual e faz um apelo aos exilados para que se convertam a fim de receberem a clemência divina.

O Salmo deste domingo é um dos Salmos Acrósticos alfabéticos considerados tardios. O Salmo 24 é de súplica confiante na libertação.

O Salmista ora como alguém comprometido com os caminhos do Senhor, somente o Senhor é visto como solução para suas necessidades.

Na Segunda Leitura (Fl 2,1-11) ou a mais breve (2,1-5), Paulo aconselha a comunidade a aderir ao projeto de salvação oferecido por Jesus em sua morte de cruz.  

Paulo pede que os membros da comunidade sejam solidários, vivam unidos, que se amem, pois foi isso que Cristo, não só com palavras, mas com a própria vida, ensinou aos seus discípulos.

A parábola dos dois filhos é contada apenas no Evangelho de Mateus e pertence ao conjunto das controvérsias de Jesus com os judeus (capítulos 21-23).

O texto pode ser dividido em duas partes: os v.1-20, que descrevem três estágios de responsabilidade individual: o pai, o filho e o neto; os v.21-23, que focam no destino daqueles que se arrependem do mal.

É dito que este Pai tem dois filhos, que são todos os seus filhos, nas suas semelhanças e diferenças. Somos todos nós, nas nossas semelhanças e diferenças.

Ao primeiro, o Pai diz: «Filho, vai hoje trabalhar na vinha» (Mateus 21,28). Note-se o termo carinhoso «filho», o imperativo da liberdade «vai», que nos coloca na estrada de Abraão, o «hoje», que requer resposta pronta e inadiável, e a «vinha», símbolo da festa e da alegria.

E note-se ainda a resposta imediata deste «filho»: «Não quero» (Mateus 21,29a), e a emenda: «mas, depois, arrependeu-se e foi» (Mateus 21,29b). Note-se também a resposta do segundo filho, depois de ter ouvido o mesmo convite do seu Pai: «Eu vou, Senhor» (Mateus 21,30a), e a constatação do narrador de que, de fato, não foi (Mateus 21,30b).

Como se vê, todos os filhos de Deus-Pai ouvem o mesmo convite e veem a mesma atitude de carinho. Respondem que não ou que sim, e ambos mudam!

O que disse que não, de fato, vai HOJE fazer a vontade do PAI; o que disse que sim, ficou apenas em palavras, apenas mudando o sim em não.

Os interpelados por Jesus (chefes dos sacerdotes e anciãos), os que só dizem, dizem, dizem, têm de reconhecer que não é o que se DIZ, mas o que se FAZ, o que verdadeiramente conta.

E ainda têm de reconhecer que João Batista bem que os tinha chamado à conversão (mudança de vida e atitude) para fazerem frutos de justiça (Mateus 3,8; 21,32) e obedecerem ao desígnio de Deus, mas nem por isso lhe deram qualquer atenção (Mateus 21,32).

Entenda-se: o que fez João Batista é o que Jesus faz agora, e tão-pouco lhe prestam atenção, convertendo-se ou mudando de vida e de atitudes.

É aqui que são chamados a fazer contraponto os publicanos e as prostitutas. Estes ouviram João e ouvem agora Jesus, e estão a mudar a sua vida (Mateus 21,31-32)!

Note-se sempre que nem isto podemos desmentir, pois o Autor destas páginas deslumbrantes que estamos a folhear, Mateus, era um publicano. E agora é um Apóstolo e Evangelista. E nós?

Os rumos e os caminhos de Deus, que são sempre bondade, verdade, ternura e misericórdia – caminhos intransitivos, entenda-se –, que se vão insinuando mansamente dentro de nós, mais ou menos como deixou escrito, no seu Diário, com data de 23 de janeiro de 1948, o grande escritor francês George Bernanos:

«Que doçura pensar que, embora ofendendo-o, não deixamos de desejar, desde o mais profundo santuário da alma, aquilo que Ele deseja».

Ensina-nos, Senhor, a ser menos egoístas e orgulhosos. Faz-nos conscientizar de nossa pequenez e, principalmente, tem piedade de nós, pecadores, que precisamos de ti.

Concede-nos a graça da humildade, fundamento de todas as virtudes e ensina-nos a trabalhar na tua vinha como convém a um filho amado.

É essa virtude que nos fará fiéis operários do Reino de Deus.

Um Domingo repleto de paz e amor em seu coração, seguindo os caminhos de Jesus que são sempre de bondade!

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