DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO (Catedral de Roma), Festa. – Segunda-Feira – 09 de Novembro
O Templo é um lugar sagrado e deve ser respeitado e preservado, para que nele possamos fazer a experiência do silêncio que nos conecta a Deus.
O silêncio é uma necessidade humana para a percepção da presença de Deus. Quando calamos em nós todas as vozes que nos fazem mercadores e mercadorias de um mundo que se consome no consumo constante, temos a chance de perceber a presença de nosso criador, nosso Pai e amigo.
Jesus, em sua índole subversiva, comete um ato extremo, para nos proporcionar a exata dimensão da importância de se preservar o lugar sagrado de Deus.
O texto é singular porque leva ao conhecimento de que Deus habita em Jesus e, por esta razão, Ele é o Templo que não se pode destruir para sempre. Derrubem-no e ele será reconstruído em três dias.
Interessante que, no evangelho de João, o evangelista narra esta passagem da expulsão dos vendilhões no início do seu relato. Nos outros três evangelhos sinóticos a passagem é narrada mais no final.
Pensando em outras passagens do Evangelho de João, seguintes a esta, podemos perceber que Jesus quer nos conscientizar de que nós também somos templos de Deus e nosso olhar e cuidado para com nós mesmos deve considerar a beleza e importância desta revelação.
Em uma dessas passagens, Jesus diz à samaritana que chegaria o tempo, e ele já chegou, em que ninguém iria adorar a Deus nem naquele monte e nem em Jerusalém. Ainda acrescenta que os verdadeiros adoradores, aqueles que o Pai deseja, O adoram em espírito e verdade (cf Jo 4,21-24).
Jesus também diz que aquele que o ama fará sua vontade e será amado pelo Pai. E Ele e seu Pai farão morada nele (cf Jo 14,21-23).
Ora, seguindo o relato de João, fica evidente que nós também somos templos de Deus. Por essa razão, Deus pode ser adorado onde quer que estejamos. Onde estivermos Ele está presente e pode ser adorado.
Tomar consciência disso é uma responsabilidade tamanha. Será que, por essa razão, preferimos nos esquecer de que somos templos vivos de Deus?
Quando lemos o texto com esta perspectiva, de sermos templos vivos de Deus, podemos nos perguntar: que tipo de mercado tenho feito em mim mesmo?
Às vezes, trocamos nossa saúde, horas de sono e descanso, por um tanto de afazeres que só têm sentido na manutenção de uma falsa imagem de nós mesmos. Às vezes, trocamos tempo de estar com a família e com os amigos por tempo nas redes sociais ou diante de um televisor. Às vezes, trocamos a necessidade de sermos compassivos e misericordiosos por julgamentos moralistas e sem sentido, apenas para ficarmos, falsamente, de bem com nossa consciência.
Hoje, somos convidados a tomar consciência do “mercado” que fizemos de nossa vida e, aquietando-nos, contemplar Jesus entrando em nosso templo pessoal. Deixemos que Ele expulse todas essas coisas do nosso ser. Permitamos que Ele restaure o sentido mais genuíno da nossa vida, aquele sonhado por Deus.
Maria, mãezinha querida, que tão bem compreendeu e viveu a graça de ser habitada por Deus, faça-nos companhia e nos lembre sempre de que a Trindade está conosco onde estivermos. Amém!
Sejamos Templos Vivos de Deus!
- Leituras do Dia:
- Ez 47,1-2.8-9.12 ou 1Cor 3,9c-11.16-17
- Sl 45(46)
- Jo 2,12-22
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