BATISMO DO SENHOR – Centro de Aliança do Povo, Luz para as Nações! – 10 de Janeiro
O primeiro domingo do Tempo Comum dá lugar à Festa do Batismo do Senhor. Essa festa recorda o episódio que marcou o início da vida pública de Jesus, como bem sabemos. Por isso, é interessante que ela se inicie também nesta primeira parte do Tempo Comum, na qual acompanhamos Jesus em seu ministério.
As leituras deste dia colocam em evidência a eleição de jesus como profeta, sublinham sua procedência divina e procuram mostrar que é Ele o Messias verdadeiro que foi, por tanto tempo, esperado pelo judaísmo. A festa de hoje nos ajuda a lembrar também o nosso Batismo. Se o Batismo de Jesus iniciou um ministério de proximidade e revelação de Deus, então devemos nos perguntar:
O que o nosso batismo, recordando hoje, representa em nossa vivência?
A Primeira Leitura deste Domingo (Is 42, 1-4.6-7) também é retirada do segundo Isaías, a parte do livro profético escrita durante o exílio na Babilônia. Is 42 é o chamado primeiro canto do servo do senhor, no qual é apresentado o Messias esperado para dar fim à opressão da Babilônia. O Senhor recebe o Espírito de Deus, para ser a luz das nações e o libertador dos oprimidos.
O Salmo 28(29) pede a bênção da paz: “Que o Senhor abençoe, com paz, o seu povo!” (v.11b). “Eis a voz do Senhor sobre as águas” (v.3, faz lembrar todos os sinais salvíficos que, na literatura bíblica, estiveram associados à água: a aliança após o Dilúvio, a libertação do Egito, a presença de Deus no deserto… a esses serão reunidos aqueles que se referem à vida de jesus: seu Batismo, seu encontro com a Samaritana junto ao poço, a água que jorra de seu lado aberto na cruz. Sobre todos estes sinais, está a voz do Senhor, sua Palavra criadora, que agora, quando o tempo se completa, faz-se carne em jesus e eleva à plenitude a revelação de Deus.
Pedro, na Segunda Leitura, (At 10,34-38), nos dá um recado muito importante: “Deus não faz acepção de pessoas”. Ele não julga as pessoas pelas aparências ou pelas classificações as quais estamos acostumados: raça, cor, religião, gênero, classe social. O critério de Deus é outro. Ele acolhe quem quer que o tema e pratique a justiça.
O Evangelho de Marcos (Mc 1,7-11) pretende responder à pergunta: Quem é Jesus? Mc 1,1 mostra o que ele vai provar: Jesus é o Cristo (= Messias) e o Filho de Deus. Os textos chaves vamos encontrá-los no princípio, no meio e no fim do seu evangelho. Mc 1,11 com a voz do Pai “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”: Mc 8,29 com a resposta do chefe dos apóstolos: “Tu és o Cristo”; de novo a voz do Pai, na transfiguração 9,7: “Este é o meu Filho amado ouvi-o”: e, no final, na boca do centurião romano, portanto pagão, em Mc 15,39: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!”.
Aqui temos duas testemunhas. A de João Batista para quem Jesus é o mais forte e mais digno do que ele. João deixa claro que ele não é o Messias. O Messias é Jesus. Jesus, de fato, se apresentará com a mesma força de Javé. É isso que indica a expressão: “o mais forte”. Ele recorda as ações de Deus na história de Israel em favor de seu povo marginalizado e empobrecido. Ele batizará não com água, mas com o Espírito Santo. João, com seu batismo na água, está preparando as pessoas para a chegada de Jesus que vai mostrar a proximidade do reino (v. 15).
A segunda testemunha é a voz do céu. Na verdade, Jesus não precisava ser batizado, pois ele não tem pecado. O seu batismo é mais um ato de solidariedade com os pecadores. Da parte do Pai é a investidura messiânica do seu filho, ou seja, o Pai reconhece seu Filho como Messias, como seu ungido, que vai agir em favor do povo.
Depois que Jesus é batizado, os céus se rasgam e o Espírito, como uma pomba, desce sobre Jesus e aí, vem uma voz do céu. O rasgão no céu é a realização do sonho do profeta Is 63,19. Indica que não há mais distância, nem barreira, entre Deus e os homens. Deus vem até nós na pessoa de Jesus. Jesus cheio do Espírito Santo é o próprio Filho de Deus no meio de nós. A voz do Pai (v. 11) recorda o Sl 2,7 e Is 42,2. Quer mostrar que Jesus é o Filho de Deus investido como rei-Messias e como Servo de Javé para exercer a justiça e o direito em favor do povo oprimido.
Valorizemos também hoje os momentos de silêncio contemplativo, a fim de que os olhos da fé sejam capazes de ver e sentir o Espírito que sobre nós desce e reafirma nossa eleição por parte de Deus.
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