4º Domingo do Tempo Comum – “BEM-AVENTURADOS OS POBRES EM ESPÍRITO” – ANO VOCACIONAL NACIONAL – 29 de Janeiro de 2023 – Ano A
As Bem-aventuranças são o anseio por um mundo novo. Numa sociedade consumista e egoísta, Jesus proclama a felicidade daqueles que sentem, hoje, a dor da injustiça e os chama para seu Reino. Não podemos nos conformar com esse mundo violento e materialista. Desejamos um mundo novo: novos céus e nova terra.
Somos convidados para subir o monte e sentados ao lado dos outros discípulos, ouvir o projeto de vida de Jesus que sintetiza todos os valores do Reino de Deus. Assim a Palavra de Deus nos ensina que no projeto do seu Reino só existe lugar para quem, assim como os pobres, simples, humildes e pacíficos, aceita se despir dos projetos individuais e renunciar o egocentrismo, a ganância e orgulho.
Na Primeira Leitura (Sf. 2,3; 3,12-13), o profeta Sofonias proclama a verdade em uma época difícil para o Povo de Deus. O profeta denuncia o orgulho e a autossuficiência dos ricos e dos poderosos e convida o Povo de Deus a converter-se à pobreza. Os “pobres” aqui são aqueles mesmos mencionados por Jesus nas Bem-Aventuranças; não são apenas os que possuem poucos bens materiais, mas sim aqueles que se entregam nas mãos de Deus com humildade e confiança, acolhem com coragem e amor as suas propostas e promovendo a justiça e solidariedade. Deste modo, Deus manifesta que sua predileção não depende de fama, poder e riqueza material. Ele prefere os que praticam a justiça.
Na Segunda Leitura (1Cor 1,26-31), São Paulo continua sua catequese fundamentada nos valores do Reino na esperança de converter novamente a comunidade de Corinto que se perdeu já no início de sua caminhada vocacional por se basear no desejo de grandeza e poder.
“Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte.” (1Cor. 1, 27)
Mateus tem nos conduzido, como numa catequese, nos primeiros passos de Jesus em direção a Jerusalém. Depois de afirmar quem é Jesus (Mt. 1,1-2,23), definir a sua missão (Mt. 3,1-4,16) e narrar a vocação dos primeiros discípulos (Mt.4, 18-23), no Evangelho de hoje (Mt. 5,1-12a) o evangelista apresenta as Bem-Aventuranças como uma síntese dos valores do “Reino”; projeto que é o centro da vida e da missão de Jesus. Mateus procurou, assim, oferecer às comunidades cristã nascentes – e também a nós – um novo código ético, que se tornará um caminho de santidade que superará em plenitude a Lei que guiava o Povo de Deus no Antigo Testamento.
As Bem-Aventuranças são proclamadas em um monte (Evangelho – Mt 5,1-12 A) – lugar que recorda o monte Sinai onde Deus se revelou e entregou sua Aliança. No entanto, agora já não é mais um intermediador (Moisés) que recebe a Aliança escrita em tábuas de pedra. É o próprio Deus que fala ao seu povo e coloca sua nova Aliança em seus corações.
A nossa felicidade consiste no fato de termos conhecido o Senhor Jesus. Aí está o verdadeiro motivo de nossa alegria e de nossa paz. Humanamente, somos levados a pensar de outra forma: é feliz quem é rico, quem é saciado de bens, quem recebe aplausos e é invejado por muitos, quem tem todas as seguranças. E este é um pensamento mundano, não é pensamento das Bem-aventuranças.
Jesus, ao contrário, declara um fracasso o sucesso mundano, pois se baseia em um egoísmo que infla e depois deixa o vazio no coração. – A nossa comunidade acredita e valoriza as pessoas simples e fracas? Acreditamos no poder de Deus ou somente nas nossas próprias capacidades e forças? Quem ouviu o chamado precisa decidir e seguir o mesmo caminho do Mestre.
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