Domingo de Ramos da Paixão do Senhor – O AMOR SE ENTREGOU POR NÓS! – 10 de abril de 2022 – Ano C
Durante cinco semanas do tempo da Quaresma preparamos a nossa vida por meio da oração, penitência e caridade, para bem vivermos esta grande semana da nossa fé. Que ao fazermos este caminho, sintamos ao menos um pouco daquilo que Jesus sentiu por nós.
Que em vez de ramos sem vida, sejamos capazes de enxergar na dor do Mestre a vida que brota como rebento novo. Para alcançarmos a ressurreição, precisamos passar pela cruz. Celebrando com fé e piedade a memória desta entrada, tenhamos também coragem para fazer o mesmo.
Celebramos hoje o Deus que se fez homem e assumiu a nossa condição. Jesus se esvazia de sua divindade para estar ao nosso lado e assim se fazer servo. A cruz não será a derrota do cristão, mas sinal do supremo amor que se doa e nos ensina a viver.
O servo da leitura do profeta Isaías (1ª Leitura Is50,4-7) é alguém que se cativa pelo chamamento de Deus e anuncia a sua Palavra. Por ele, Deus fala ao seu povo, pois será sempre pela força divina que os homens serão modelados para o bem. Apaixonar-se pela Palavra é saber das dificuldades que surgirão. O profeta será perseguido e sofrerá. É preciso confiar na ação do Senhor e assim, o profeta será capaz de enfrentar o sofrimento. É preciso estar no caminho de Jesus e não querer que Jesus faça as minhas vontades e desejos.
Viver os planos de Deus é ouvir e praticar a sua Palavra. Mas para isso, estou disponível e convicto dos desafios que surgirão? O que ainda atrapalha a minha vida de servidor? O que devo pedir a Deus para que minha vida seja transformada?
Dos lábios do Salmista (Salmo 21(22) temos este pedido, que não é um protesto, mas representa uma súplica, pois nos mistérios divinos, recorrer a Deus é deixar-se atravessar por Ele que não nos abandona, nem nos momentos de profunda dor. Na dor do Filho, o Pai se compadece, está junto e sofre também. Em nossa angústia, o Pai abraça os seus filhos e se faz presente.
A carta aos Filipenses (2ª Leitura Fl 2,6-11) traz um belíssimo hino cristológico. Jesus se despoja em favor de toda a humanidade.
Enquanto o primeiro homem, Adão, quis ser como Deus e ousou isso com o seu orgulho e revolta, o segundo homem, Jesus, faz-se obediente e humilde. Servir ao próximo é a grande missão que temos a realizar. Cristo fez isso com os seus e nos instiga a fazer o mesmo hoje. Aceitar a vergonhosa morte na cruz é de fato dizer o quão grande amor um amigo tem por seus amigos.
Sabemos, no entanto, que repetir os mesmos gestos de Jesus não é fácil. Exige coragem, renúncias, humildade para podermos nos assemelhar ao homem novo. Jesus chega em Jerusalém e o objetivo de sua missão está quase no fim. A salvação vista pelo velho Simeão se realizará num supremo gesto de entrega na cruz. A morte de Jesus representa todo um projeto de sua história que trouxe esperança e vida aos mais pobres do mundo e ao mesmo tempo incomodou a outros, devido a suas realidades diversas.
Por vezes, o egoísmo, indiferença, ganância, poder e o medo ao novo nos fecham ao próximo e a Deus. Jesus tentou que o ser humano pudesse fazer diferente e continua até hoje com este desejo.
Todavia, a resposta de amor de Jesus causou um enorme conflito com as autoridades locais de sua época. O incômodo fora terrível e as tensões surgiram ao ponto de matá-lo. A morte do jovem Galileu representa a vida que venceu o pecado, a violência, a guerra, a fome, a doença e a morte eterna. Deus se tornou frágil, para que nós também pudéssemos ser frágeis, sensíveis e humanos.
Na ânsia de nos tornarmos poderosos, esquecemos de que o maior é aquele que serve, é aquele que dá a vida em favor dos outros.
Estar no caminho de Jesus é compreender que o verdadeiro amor se entrega e se doa, pois sabe que sua oblação gerará vida em abundância. Se a cruz é sinal de tortura, loucura, confusão para muitos, para nós cristãos simboliza a radical resposta de adesão à Palavra que gera vida.
Eis o maior mandamento deixado pelo Mestre:
“Amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado!”
Assumamos neste propósito a nossa missão de batizados.
EVANGELHO: Lc 22,14–23,56
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