5º Domingo da Quaresma – “JESUS NOS CONVIDA À ACOLHIDA E À MISERICÓRDIA” – 03 de abril de 2022 – Ano C
A liturgia de hoje resume bem a proposta desse tempo de graça e conversão, que é a Quaresma.
O Evangelho de Lucas cede espaço para o de João, que nos presenteia com o episódio da pecadora adúltera, levada a Jesus no Templo – (Jo 8,1-11). Está em jogo o significado da lei e o seu objetivo verdadeiro: defender a vida, promover a justiça, reintegrar a pessoa.
Na praça do Templo, Jesus é questionado quanto ao conteúdo da lei: “Moisés mandou… que dizes tu?” O Mestre não se rende à pressão nem aos preconceitos, mas resgata seu sentido original: “Quem não tem pecado, atire a primeira pedra”!
A pena de morte é justa, segundo a legislação, mas será que é a melhor forma de resgatar a pessoa, segundo o coração de Deus? Deus detesta o pecado, mas ama o pecador!
Nossa postura deve ser a mesma: fazer de tudo para combater o pecado e salvar o pecador, mostrando-lhe o caminho do amor de Deus!
A vida nova do amor é o que Jesus vem nos apresentar. O desejo do coração de Deus é que cada ser humano descubra o seu valor de filho querido e amado, e se coloque no caminho do amor e da paz. O Apóstolo São Paulo é testemunha disso. Ele soube viver essa experiência transformadora e integradora da conversão.
Na Carta aos Filipenses, 2ª Leitura (Fl 3,8-14), ele dá seu depoimento agradecido e cheio de emoção: “esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente… já fui alcançado por Cristo Jesus”!
A experiência da misericórdia divina marca definitivamente a vida de quem se abre ao horizonte ilimitado de Deus! O Senhor está sempre presente na vida do seu povo amado. A certeza do seu amor acompanha a experiência de fé israelita desde a sua origem. O episódio do êxodo é fundamental, é central para a formação da identidade de Israel e a compreensão de sua vocação no meio dos outros povos. Os profetas resgatam essa experiência e sempre a colocam como paradigma da ação de Deus em favor do seu povo.
O profeta Isaías, na 1ª Leitura (Is 43,16-21) nos convida a olhar confiantes para o futuro, recordando o passado com gratidão, já o presente é sempre novo. A realidade sempre traz novos desafios e inquietações que nos estimulam na criatividade para anunciar o evangelho, para as pessoas de hoje e, na missão, com elas.
Reconhecer o novo, estar atentos aos sinais dos tempos, como nos alertava o Papa São João XXIII ao convocar o Concílio Vaticano II. A presença de Deus é capaz de restaurar a harmonia perdida pelo pecado. Nada pode nos separar do amor de Deus, sempre presente, atento, disponível, atuante. Ninguém pode nem precisa ter medo de se aproximar do Senhor! Ele é capaz de nos renovar sempre no seu amor!
Nesta Quaresma tivemos uma oportunidade muito rica de aprofundar nossas opções, de reconhecer nossos limites e falhas, de fazer bonitas experiências de conversão e amadurecimento. Que sejam opções duradouras e transformações efetivas!
O cartaz da Campanha da Fraternidade deste ano é inspirado justamente na cena do evangelho de hoje. O ensinamento do Cristo Mestre é um convite a viver o amor, superando os legalismos e preconceitos de que tantas vezes somos reféns. As pedras deixadas ao chão sinalizam para um caminho efetivo de conversão, que exige que deixemos as armas da intolerância, da falta de diálogo, do julgamento parcial e desinformado, em nome da acolhida, da escuta, do projeto de fraternidade sonhado para o Reino de Deus.
Essa é a sabedoria da cruz, que o Cristo, Palavra de Deus, vem nos ensinar. Educar é promover o encontro, o diálogo, o cuidado, a vida para todos!
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