FORMAÇÃOLITURGIA DIÁRIA

SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA – “Irás à frente do Senhor a preparar os seus caminhos” – Ano B – 24 de Junho de 2021

Ao contrário do que muitos pensavam, João não era o Cristo. Sua missão foi preparar os corações para receber o Reino de Deus, que em breve iria chegar por meio de Jesus. A missão de João envolveu sofrimento, incompreensões e martírio, como havia acontecido, ao longo da história da revelação, com patriarcas e profetas.

O nome do menino é João, que, no idioma hebraico, significa “Deus agraciou”. Ou seja, o profeta é uma graça, um dom de Deus, não apenas para os pais dele, que estavam velhos. João é um dom de Deus porque é um profeta. Sua vinda a este mundo é uma intervenção de Deus no curso da história. Por isso, o nascimento do profeta causa “alegria” e “temor” nas pessoas. Alegria porque a vinda de um profeta ao mundo significa que Deus ainda se importa com a humanidade; significa que, diante da infidelidade das pessoas, Deus manifesta fidelidade de sua parte e deseja reatar os laços de amizade com a humanidade. Temor porque o profeta nos inquieta, a sua palavra é espada cortante e penetrante que manifesta as intenções dos corações. A vida do profeta é luz a exigir que nos deixemos iluminar e abandonemos nossas trevas interiores.

O texto do evangelho de hoje termina com a menção de João no deserto. Isso é muito significativo, porque é no deserto que o povo hebreu, no Antigo Testamento, firma uma aliança com Deus, prometendo-lhe fidelidade e adoração exclusiva. João no deserto vai nos lembrar que não vivemos na fidelidade, que Deus não é o centro de nossa vida, e quando isto acontece, algo ou alguém vai tomar o lugar que deveria ser reservado somente a Deus. É mais que infidelidade: é idolatria. E quando criamos um ídolo ao qual entregamos nosso coração, então vamos, aos poucos, excluindo Deus e aqueles que são os prediletos dele: os pobres, os injustiçados, os sofredores em geral.

A vinda de um profeta a este mundo significa que Deus quer tomar seu lugar de volta em nossa vida, e isto é libertação. Mas é necessário conversão, mudança de atitudes, sair da zona de conforto.

O profeta é um dom de Deus. Sem ele, o ser humano esfriaria em sua relação com Deus. A missão do profeta, em todos os tempos, é convocar seus contemporâneos para uma mudança de vida e de mentalidade. É preparar o povo para a manifestação de Deus e mostrar os sinais dos tempos. Um profeta em nosso meio é a certeza da fidelidade de Deus para conosco e uma exigência de fidelidade de nossa parte também. Por isso o profeta não apenas anuncia, mas denuncia a hipocrisia de muitos cuja fidelidade é apenas aparente.

Nos tempos atuais, está em nosso meio um grande profeta, o Papa Francisco. Mas, visto que o presente não é diferente do passado, também ele é rejeitado pelos de sua própria casa. As pessoas que mais se sentem incomodadas com a ação profética do Papa Francisco são alguns católicos.

Isto significa que há hipocrisia na Igreja de Cristo, há falsos católicos, assim como no tempo de Jesus havia falsos cristos. O Papa Francisco tem profunda intimidade com Cristo, é um dom de Deus para a Igreja em nosso tempo. Ele faz aquele papel que o Servo e o apóstolo Paulo fizeram ao se dirigir aos pagãos. O Papa Francisco inclui a todos os excluídos porque assim quis e quer o Cristo: a universalidade da salvação. Cristo deu a vida por todos, veio para os pecadores, nunca excluiu ninguém.

Leituras desta Solenidade:

  • I leitura (Is 49,1-6): Meu Servo: uma luz para as nações
  • Salmo 138(139)
  • II leitura (At 13,22-26): João convocou Israel ao arrependimento
  • Evangelho (Lc 1,57-66.80)

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