13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Fé, solidariedade e generosidade – Ano B – 27 de Junho de 2021
A Liturgia de hoje nos convida a fundamentar nossa vida em um tripé formado pela fé, pela solidariedade e pela generosidade. Porém, deve-se ressaltar que os três elementos não são espontâneos ao ser humano; devem eles ser encontrados no Coração de Deus.
As leituras levam-nos a meditar que Deus é o autor da vida; ele criou o ser humano para a vida eterna. Na concepção bíblica, a morte física não significa o fim da vida, mas sua transformação para uma condição de imortalidade, pois viver é estar com Deus. A obra da criação é uma ação divina em favor da vida. Esse é o grande ensinamento da Primeira Leitura, do livro da Sabedoria.
Jesus, em sua vida terrena, sempre defendeu a vida. O itinerário de Marcos aproxima-se do momento culminante: o desabrochar da fé dos discípulos, reconhecendo a divindade de Jesus. O Evangelho desta liturgia nos apresenta um duplo milagre: a cura da filha de Jairo e a da mulher hemorrágica. Jesus não somente tem autoridade, mas também força para curar as enfermidades.
A Segunda Leitura nos lembra que Deus dá a vida e revela isso àqueles que acreditam em Jesus Cristo, seu Filho. Se essa é a Boa-nova, não podemos ficar insensíveis ao pedido de Paulo acerca da partilha fraterna que deve existir entre irmãos, expressa por meio da coleta entre as comunidades para ajudar os pobres.
Recordando a Palavra:
A mensagem central da Primeira Leitura (Sb 1,13-15.2,23-24) é que quem pertence a Deus, pela fé, experimenta sempre a vida; para o justo, morrer é entrar na imortalidade. O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus e foi chamado à comunhão eterna com o Criador, que restaura a vida em perigo de se apagar. O livro da Sabedoria superou a mentalidade antiga que se fundamentava na crença de que o pecador devia morrer e somente os justos iriam ressuscitar.
O Salmo 29(30),2.4.5-6.11.12A.13b é um hino ao Senhor das curas e da vida, que nos livra de todos os males (vv. 3-4) e da morte. É também uma bela e sentida Ação de Graças a um Deus que liberta o orante da tristeza, da doença, do luto e da morte, e o faz exultar de alegria, saúde, vida, dança e música de festa. O Deus aqui louvado é um Deus que muda as nossas situações difíceis e, por vezes, sem saída, em amplas avenidas floridas.
Na Segunda Leitura (2Cor 8,7.9.13-15), Paulo exorta a comunidade de Corinto a praticar a entreajuda e a partilha com as comunidades mais carentes. O apóstolo tinha organizado uma coleta nas comunidades da Ásia Menor, as quais se encontravam em uma realidade econômica melhor, para ajudar as comunidades de Jerusalém. Tal iniciativa correspondia às orientações da Igreja nascente. O apóstolo justifica essa ação de partilha recordando a generosidade de Cristo, que não se apegou a nada do que tinha e deu tudo de si, até a própria vida. Paulo propõe Jesus como o modelo para todo cristão, pois todos se beneficiaram de sua oferta generosa na cruz, todos foram redimidos graças à sua doação total. Portanto os discípulos, em conformidade com esse espírito, partilham tudo que está ao seu alcance para o benefício dos irmãos.
No Evangelho (Mc 5,21-43) veremos o relato do duplo milagre realizado por Jesus que sugere o crescimento da fé salvífica. A decisão do evangelista de colocar os dois milagres juntos tem uma finalidade catequética: em ambos os acontecimentos, passa-se de uma fé/confiança inicial em Jesus ao encontro definitivo com ele, como fonte de salvação e vida plena.
Jesus, ao usar a expressão imperativa: “Sê curada”, denota sua afeição pela mulher, restaurada na sua dignidade total; é restabelecida na sociedade, que a excluía por ser doente. Foi sua fé que a salvou, e Jesus se alegra com isso. Nos Evangelhos, a cura é consequência do dom da fé, que é sempre fonte de vida e felicidade.
No segundo milagre, a expressão “Levanta-te!” traduz perfeitamente que Jesus é o Senhor da vida.
O imperativo tem o mesmo sentido de: “Ressuscita!” Aqui já se evoca a plena vitória de Jesus sobre a morte, na ressurreição. A recomendação de que ninguém soubesse o que tinha acontecido é paradoxal, considerando as circunstâncias.
Esse silêncio, contudo, é perfeitamente lógico na perspectiva do Evangelho segundo Marcos. Jesus venceu a morte, mas seria uma vitória muito pequena, se se resumisse a devolver alguns anos de vida à criança. O milagre é apenas um sinal, a antecipação da vitória final de Jesus na cruz, onde será elevado, vencendo a morte para sempre. As testemunhas do milagre ficarão em silêncio, porque Pedro, Tiago e João ainda irão presenciar a transfiguração do Senhor na montanha e depois sua vitória final em Jerusalém.
As duas mulheres agraciadas pela ação de Jesus tinham algo em comum: uma sofria fazia 12 anos e a outra morreu aos 12 anos de idade, antes de se tornar mulher. Na concepção judaica, ambos os casos constituíam um fracasso total, pois nenhuma delas tinha condição de gerar vida. Cristo cura as duas mulheres e permite-lhes, assim, desempenhar sua vocação materna. Em seu ministério, Jesus transforma a vida daqueles e daquelas que abraçam a fé. No contexto das primeiras comunidades cristãs, o relato ressaltava que a fé era condição essencial para receber o batismo, o sacramento da vida nova em Cristo.
A exemplo dos protagonistas da passagem do Evangelho deste 13º Domingo do Tempo Comum, aproximemo-nos de Nosso Senhor e Ele nos prodigalizará seus favores. No Sacramento da Eucaristia, mais que estreitar a mão que levantou a menina do leito de morte ou tocar o manto cujo contato devolveu a saúde à mulher, cada um de nós recebe Jesus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Se Ele Se dá por inteiro a nós, não haverá de nos curar as misérias, solucionar as dificuldades espirituais e, inclusive, suprir as carências materiais?
Roguemos a Jesus, por intercessão de Maria, uma fé maior que a da hemorroíssa e a de Jairo, para nos beneficiarmos de todos os tesouros que em sua misericórdia Ele quer nos conceder!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

