FORMAÇÃO

DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR – 28 de Março

A semana santa tem início hoje, no “Domingo de Ramos na Paixão do Senhor”, que une num todo o triunfo real de Cristo e o anúncio da Paixão. Na celebração e na catequese deste dia, deve salientar-se o duplo aspecto do mistério pascal. A comemoração da entrada do Senhor faz-se, desde a antiguidade, pela procissão solene, com a qual os cristãos celebram este acontecimento, imitando as aclamações e os gestos das crianças hebraicas, que foram ao encontro do Senhor com o canto do “Hossana”.

Conservados em casa, os ramos recordam aos fiéis a vitória de Cristo celebrada com a mesma procissão. Na bênção dos ramos é lido o Evangelho segundo S. Marcos. Jesus sobe a Jerusalém para Se submeter à morte. Por isso, entra na Cidade Santa à maneira de Messias e Rei, como os Profetas haviam anunciado.  É, porém, o triunfo modesto e humilde de um Rei, que vem, não para dominar, mas para servir e dar a vida em resgate pela humanidade. Um triunfo que é prelúdio de martírio.

A 1ª leitura da Missa é do Livro do profeta Isaías (Is 50,4-7). O “Servo de Deus” é Jesus Cristo, que Se oferece como vítima pelos homens, seus irmãos. Entregando-Se confiadamente à vontade do Pai, não hesita em cumprir a sua missão, que O levará à morte. Na sua humilhação, Deus far-Lhe-á conhecer a exaltação.

A 2ª leitura é de S. Paulo aos Filipenses (Fl 2,6-11). Para resgatar a humanidade da desobediência de Adão, Jesus, depois de Se ter despojado das suas prerrogativas divinas pela Encarnação, sempre em filial obediência ao Pai, submete-Se a todas as contingências da sua condição humana. A sua humilhação vai até à Cruz. No aniquilamento da morte começa, porém, a sua elevação à glória.

O Evangelho (Mc 14,1-15,47) ou mais breve Mc 15,1-39, é a narração da Paixão segundo S. Marcos. O Evangelho de S. Marcos é o mais antigo, porque escrito antes dos outros, e é também o mais breve, não só na história da Paixão como em todo ele. Este evangelista aponta com bastante realismo alguns episódios fruto de especial observação de situações particulares e até pitorescas, como a que envolve o servo do sumo sacerdote aquando da prisão de Jesus.

A primeira parte do evangelho de Marcos apresenta de maneira velada a obra messiânica de Jesus. Falou-se até de um “segredo messiânico”. Jesus traz o Reino de Deus presente, mas não de modo manifesto; apenas o deixa entrever em sinais de sua autoridade (1, 21; 2,10 etc). Inclusive, os demônios que ele expulsa o reconhecem antes dos próprios discípulos! As parábolas (Mc 4) falam da presença escondida do Reino. Os gestos de Jesus apontam para o Reino (a partilha do pão), mas os discípulos não o entendem (8, 14-21).

A abertura dos olhos do cego de Betsaida anuncia uma mudança (8, 22-26). Os discípulos reconhecem Jesus como Messias, mas em categorias humanas, sem entender seu caminho de Servo Sofredor (8, 27-30.31-33). Nos caps. 8 a 10, mediante os anúncios da Paixão e os ensinamentos sobre o seguimento e o serviço, surge uma espécie de compreensão, simbolizada pela abertura dos olhos do cego de Jericó (10, 46-52). Mas Jerusalém continua na ambiguidade. Jesus entra na cidade sentado num burrinho, como o Messias humilde descrito no profeta Zacarias, mas o povo o aclama; como Filho de Davi. Ora, Davi era guerreiro. Será que o povo entendeu que tipo de Messias Jesus realiza? Jesus é mais que um filho de Davi. É o filho querido de Deus (1, 11; 9,7; 15,39) que, em obediência ao incansável amor do Pai, dá sua vida e realiza plenamente a figura do “Servo” descrita em Isaías 53.

A narração da Paixão fornece uma chave para abrir esse segredo. O sumo sacerdote pergunta a Jesus se ele é o Messias, o Filho de Deus. Jesus responde “Sou, sim, e vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu” (Mc 14, 61). O mundo pergunta se ele é o Filho de Deus e ele responde que é o Filho do Homem… Este Filho do Homem é uma figura que vem da profecia de Daniel (7, 13-14). É o enviado celestial que esmaga as quatro feras que disputam o domínio sobre o mundo. Simboliza o Reino de Deus. O Reino de Deus, que vence os reinos “ferozes” deste mundo, tem rosto humano. Para nós, tem o rosto de Jesus.

Assim, na Paixão de Jesus, Filho do Homem e Filho de Deus significam a mesma coisa. Jesus é o Filho querido de Deus, que une sua vontade à do Pai, para, pelo dom da própria vida, vencer as feras que dominam este mundo e quebrar sua força definitivamente. Ao ser condenado pelo sumo sacerdote de seu povo, ele se proclama portador de uma autoridade: a do Filho do Homem. Quando ele morre na cruz, por causa da justiça e do amor, o representante do mundo universal, o militar romano, exclama: “Este era de fato Filho de Deus”. Ambos os títulos significam o respaldo que Deus dá a Jesus, e que se verificará na gloriosa ressurreição dentre os mortos. Jesus é vencedor pela morte por amor em obediência filial (Filho de Deus), mas também pelo julgamento que derrota o poder deste mundo (Filho do Homem).

 CONCLUSÃO
De tudo o que falamos deste Domingo de ramos que é o resumo da Semana Santa- tempo de Deus, podemos tirar uma conclusão importante:
Esta Semana só pode ser Santa, a partir das nossas atitudes. Porque para muita gente nem folcloricamente ela é santa, porque passam-na longe da Igreja, longe da oração, longe de Deus, ou numa fazenda, ou numa praia, aproveitando o descanso que a que nos concede.
Vamos , pois , fazer desta semana um tempo de reflexão e de oração, mas também um tempo de luta e de esforço para que a vida seja mais parecida com Jesus e para que lutemos contra o egoísmo que escraviza e trabalhemos com todas as nossas força para que o amor de Cristo reine aqui na nossa comunidade e na minha casa.
Amém!

#domingoderamos #paixãodosenhorjesus

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.