6ª FEIRA DEPOIS DAS CINZAS – 19 de Fevereiro – Mt 9,14-15
O verdadeiro jejum vai além da pura mortificação corporal. Deixar de comer não tem sentido sem uma consciência correta do que se está fazendo.
Jejuar para cumprir uma obrigação da Igreja, também é um ato desprovido de importância. Igualmente sem importância é jejuar por tradição ou como expressão de uma religiosidade vazia.
Os discípulos de João e os fariseus jejuavam por tradição e queriam impor essa prática aos discípulos de Jesus. Este, porém, recusou-se a entrar no esquema deles.
Por quê?
Jesus compreendia o jejum como exercício de autodomínio, em que deixar de comer significava a capacidade de ser dono da própria liberdade e poder colocá-la a serviço do próximo. Quem é capaz de dominar a fome, será também capaz de dominar a língua, o mal, o egoísmo, o ciúme, a inveja e todos os sentimentos negativos que o impedem de se fazer amigo e solidário.
Portanto, junto com a ascese para dominar a fome, o jejum permite ao discípulo vencer a si mesmo e a se abrir para o outro. Sem esse movimento amplo de libertação, o jejum torna-se irrelevante, mesmo sendo praticado de forma escrupulosa.
Eis porque Jesus não dava importância ao jejum, no contexto da formação dos discípulos. Só quando ele lhes fosse tirado, e tendo visto o seu testemunho de amor, até a cruz, então, sim, estariam em condições de jejuar. Porém, de uma maneira muito distinta da dos discípulos de João e dos fariseus.
Sobre esse jejum, o profeta Isaías fala com muita clareza na primeira leitura. O jejum que ele aconselhou é mais do que abandonar alimentos, bebidas ou o prazer. É quando saímos do nosso egoísmo para servir aos outros, que estamos jejuando, e é isso que o Senhor quer. Começamos então a ver que o nosso conforto não importa tanto diante da alegria de um irmão, a quem damos um pouco do nosso tempo e atenção. O servir, torna-se assim, o alimento da nossa alma.
Perguntemos, hoje, ao Senhor, como podemos fazer a diferença no mundo que nos cerca. Como podemos levar a boa nova àqueles que estão à margem da vida. O que quer que escolhamos fazer ao próximo, voltando nossos corações para o Senhor, poderemos também ouvir sua voz a nos dizer: “Então tua luz surgirá como a aurora” (Is 58,8). Nossa luz poderá ser a aurora de uma nova vida para alguém ao nosso lado.
- Leituras do Dia:
- Is 58,1-9a
- Sl 50(51)
- Mt 9,14-15
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