LITURGIA DIÁRIA

5ª SEMANA DO TEMPO COMUM – Quinta-Feira – 11 de Fevereiro – Mc 7,24-30

A visita de Jesus à região de Tiro e o seu encontro com uma mulher siro-fenícia causaram espanto e entraram em contradição com a concepção messiânica da época, segundo a qual a salvação seria somente do povo de Israel.

Mas esse encontro ampliou o conceito de Messias em vários sentidos: geográfico, étnico, religioso e de gênero. De acordo com a narrativa de Marcos, é possível entender que Jesus se retirou da Galileia para escapar do tormento dos fariseus ou para fugir de Herodes, que governava a Galileia e a Pereia e há pouco tirara a vida de João Batista (cf. Mc 6,16).

Em território estrangeiro, Jesus entrou numa casa e quis permanecer oculto. Que casa seria essa? Podia ser uma casa de judeus que habitavam a região de Tiro. A intenção de Jesus era refazer suas energias, mas isso não foi possível, pois uma mulher ficou sabendo de sua presença ali e invadiu a casa, atirando-se a seus pés. Esse gesto era típico de quem prestava uma homenagem ou pedia um favor. Em sua necessidade, a mulher buscou uma solução para o seu problema e não teve medo de romper barreiras.

Como mãe, a mulher suplicou a Jesus a cura da filha, que tinha “um espírito impuro”. Ela estava disposta a tudo para atingir sua meta. O relato apresenta a doença da filha de duas maneiras diferentes: Mc 7,25 afirma que ela tem um espírito impuro, e Mc 7,26.29.30, um demônio.

A primeira expressão é comum no mundo judaico, e a segunda é usada em outras culturas. Isso pode indicar que as pessoas a quem o Evangelho de Marcos se dirige são formadas por judeus e estrangeiros. De um lado, temos a insistência da mulher, de outro, a indiferença de Jesus, cuja resposta à mulher nos deixa intrigados: “Deixa que primeiro os filhos se saciem, porque não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos” (Mc 7,27).

De maneira sábia e audaciosa, a mulher se utiliza da mesma comparação de Jesus, apresentando o seu argumento: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos!” (Mc 7,28). A mulher devia conhecer a fama de Jesus, pois ela se dirige a ele usando o título salvífico “Senhor”. Ela representa um grupo da população que reconhece Jesus como o Senhor.

A mulher compreende e aceita a primazia de Israel melhor do que os judeus. A sua determinação e a sua coragem dão testemunho de sua esperança. Ela reivindica os direitos dos gentios. Jesus percebe que a mulher está certa, o argumento dela o faz ampliar seus horizontes: “Pelo que disseste, vai!” (Mc 7,29a). É a palavra dela que cura!

Diante dos argumentos da mulher, Jesus revê a sua maneira de pensar, e a filha é restaurada: “O demônio saiu da tua filha” (Mc 7,29b). Ele é capaz de ultrapassar as barreiras étnicas, geográficas e políticas e ver a realidade das pessoas que sofrem. Em Jesus, a salvação não é apenas para os que observam a Lei e a tradição, mas está aberta a todas as pessoas que nele acreditam. Ao mostrá-lo aceitando a palavra da mulher, o evangelho nos ensina que é preciso superar qualquer barreira ou conflito quando se trata da defesa da vida ameaçada.

  • Leituras do Dia:
  • Gn 2,18-25
  • Sl 127(128)
  • Mc 7,24-30

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