FORMAÇÃO

4º DOMINGO DA QUARESMA (“Domingo Gaudete”) – ‘Alegrai-vos pela vossa Salvação!’ – 14 de Março

“DEUS ENVIOU O SEU FILHO AO MUNDO PARA QUE O MUNDO SEJA SALVO POR ELE”

JESUS, VIDA E LUZ

Aproximando-se da Semana Santa, a Liturgia nos propõe escutar dois discursos de Jesus sobre a qualidade da fé. O primeiro inicia o ministério público de Jesus, o segundo, o encerra. Desse modo, podemos correr ao encontro das festas que se aproximam cheios de fervor e exultando de fé.

Hoje é o domingo da alegria e do encontro de Jesus com Nicodemos. Neste 4º Domingo da Quaresma contemplamos um Deus apaixonado que faz Aliança com as pessoas. Já estamos bem mais próximos da festa da Páscoa. Neste domingo, recordamos o encontro de Jesus com Nicodemos e recebemos do Senhor o anúncio da paixão e entrega da sua vida, como prova de amor à humanidade. O fio condutor da liturgia de hoje é a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz, do pecado à reconciliação.

A Primeira Leitura (2Cr 36,14-16.19-23) mostra como o Senhor se irrita contra seu povo quando este não crê Nele, quando “não leva em conta a sua Aliança”, ao passo que o livra e lhe concede sua misericórdia quando manifesta confiança em seu Deus. Deus mantém a sua oferta de vida e salvação, mesmo correndo o risco de ser desprezado pelas pessoas, cuja liberdade respeita, mesmo na opção pelo pecado. Pecado que é a ruptura da Aliança de Deus com seu povo e com as pessoas, a eleição das trevas, e a atitude de onde vem o agir com perversidade, isto é, as más obras (evangelho).

A ideia central desta leitura é, por um lado, destacar a infidelidade do povo e das lideranças de Israel ao projeto de Deus, isto é, o desprezo pelos profetas, a profanação do Templo de Jerusalém e as consequências deste pecado com a deportação do povo para a Babilônia; por outro lado, destaca a “fidelidade de Deus que não abandona seu povo”, mas, através de Ciro, rei da Pérsia, permite que o povo volte para a sua pátria. Nós desígnios de Deus, Ciro é apresentado como o ungido e também colaborador de Deus.

O Salmo (136/137) lembra a triste situação do povo no exílio da Babilônia com saudades de seus costumes e tradições. Insultados pelos inimigos a cantar canções de sua terra, o povo se recusa e lamenta: “Como poderíamos cantar os cantos de nosso Deus longe dele, numa terra estrangeira?”.

O Salmo 136/137 recupera aspectos importantes de Deus aliado, que deseja seu povo livre para que livremente expresse a própria fé. No Êxodo há essa insistência: os hebreus só poderão celebrar uma festa para o Senhor no deserto, em liberdade (Êxodo 5,1b). O Deus do Salmo 136/137 é esse mesmo Deus, amante da liberdade. Sem ela não há religião nem fé verdadeiras. É o Deus ligado a uma terra, a um povo, a uma cidade. Quando o povo tem tudo isso, então encontra o verdadeiro Deus. O rosto de Deus neste Salmo é um Deus aliado e libertador.

Na Segunda Leitura (Efésios 2,4-10), o apóstolo Paulo apresenta à comunidade de Éfeso o centro e a meta do projeto de Deus para todos os seus filhos e filhas: Jesus Cristo a Nova Aliança. Esta leitura traz em abundância a mensagem do evangelho. Jesus Cristo é o sinal dessa gratuidade para com os pecadores, que não pode alegar nenhum mérito próprio: “De fato, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar”. Destaca também a vida nova trazida para as comunidades cristãs pela “morte e ressurreição de Jesus”. A comunidade cristã é o lugar da realização do projeto de Deus, lugar do testemunho de um mundo novo onde testemunhamos Jesus Cristo a Nova e Eterna Aliança.

O Evangelho de Hoje (Jo 3,14-21) expõe: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito”. É preciso entende que a fé ou a incredulidade presentes contém já uma antecipação do julgamento definitivo de Deus: salvação ou condenação, ao mesmo tempo. Para João, o julgamento acontece na rejeição de Cristo, enviado do Pai; e isso, desde já; como também a salvação existe, desde já, na sua aceitação (João 3,18). Ora esta rejeição ou aceitação acontece na prática da nossa vida.

Deus mostra seu grande amor pelo mundo (João 3,16), dando seu próprio Filho querido. Contemplamos um Deus apaixonado pelo mundo. Deus retoma toda a história da salvação, estabelecendo no mundo o julgamento definitivo (não no sentido de Ele tomar a iniciativa de nos condenar, mas no sentido de Ele nos desafiar para a opção, que pode ser pelo Reino ou pelo anti-Reino).

Para essa possível opção, o Pai nos dá sua graça em Jesus Cristo, seu próprio Filho, que Ele enviou ao mundo para podermos vencer todo o pecado e começarmos já aqui a ter a vida eterna.

Contudo, para o bom observador da liturgia de hoje aparece atravessada por um fio homogêneo: a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz, do pecado à reconciliação.

Aproveitemos esta Quaresma para revisar quanto há de luz e sombras em nossa vida, família e comunidade em geral. Quanto há de luz e sombras nas organizações sociais de que participamos ou que estão presentes em nossas comunidades. Quanto há de luz e sombras nos dirigentes e em suas políticas de governo. Se quisermos tomar parte com Jesus, somos obrigados a “converter-nos em luz peregrina” que resgata aqueles que, ao nosso redor, vivem nas trevas e, ao mesmo tempo, desmascara os projetos que nos mantêm nas sombras da injustiça e da pobreza.

Em muitas ocasiões e lugares, ser luz implica grandes riscos, porém é pior o risco de não aceitar o desafio, condenando-nos, nós mesmos, à pior de todas as trevas: estar longe da luz de Cristo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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