3º Domingo da Quaresma – “CONVERSÃO É UM CAMINHO FUNDAMENTAL” – Ano C – 20 de março de 2022
CONVERSÃO ENQUANTO AINDA HÁ TEMPO
A partir deste terceiro domingo da Quaresma a liturgia da palavra centraliza-se toda no tema da conversão para a renovação batismal.
A liturgia deste domingo apresenta o tema da misericórdia de Deus, tendo como condição a conversão. Esta constitui o grande apelo do tempo quaresmal em preparação à páscoa: passagem de libertação do pecado à graça divina. Tal conversão representa um esforço constante em retornar e permanecer em Deus, de modo que nossa existência seja renovada.
Na 1ª Leitura(Ex 3,1-8a.13-15), temos um dos momentos chave da história da salvação: o chamado de Moisés. O Senhor vê a aflição do seu povo, ouve o seu clamor e desce para libertar. Ele se revela de modo esplendoroso e inefável como Deus de misericórdia. “O Senhor é bondoso e compassivo”. Deste modo, cumpre a promessa feita a Abraão e prepara o caminho para a consumação da salvação, que se realizará em Jesus Cristo.
E este é o conceito de salvação: libertar da escravidão e conduzir para a terra da liberdade. A iniciativa é divina, à pessoa cabe dar a sua resposta. – O nosso êxodo hoje é existencial: da escravidão do pecado para a liberdade de filhos e filhas de Deus. E isso é, propriamente, a conversão. Todavia, devemos entender a conversão como um processo contínuo. A vida é uma constante peregrinação rumo à terra boa e espaçosa do Reino de Deus. Enquanto estamos nesta vida terrena, não é possível afirmar que já chegamos ao Reino de Deus, ou ainda, que já atingimos a santidade necessária para sermos dignos dele. Em nossa vida de fé, corremos o grande risco de nos estagnarmos, ou nos sentirmos satisfeitos com o estágio em que chegamos.
Na 2ª Leitura, aos Coríntios, (1Cor 10,1-6.10-12), Paulo faz um breve resumo do êxodo dos hebreus, recordando como Deus foi bom para com o povo, amparando-o e sustentando-o na caminhada pelo deserto. Por outro lado, mostra como o povo respondeu ao Senhor com ingratidão: a maior parte deles desagradou ao Senhor e, por isso, morreram no deserto. Ensina São Paulo: “Estes fatos aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto” (1Cor 10,6).
Outros fatos que aconteceram como exemplo para nós foram aqueles relatados no Evangelho de hoje. Jesus se utiliza de acontecimentos daqueles dias para chamar a atenção dos que são seus. Alguns chegaram até Jesus trazendo notícias sobre uma tragédia. Ele logo entende os pensamentos e as intenções dos que lhe vieram com tais fatos e vê uma oportunidade para o convite à conversão. Os que vêm relatar a tragédia estão carregados de uma mentalidade que entendia tais desgraças como castigos divinos para os pecados. Jesus responde quebrando essa mentalidade: “vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros”? (Lc 13,3).
No caso dos galileus temos um ato de maldade humana, e Jesus ainda acrescenta outro fato, fruto de um acidente. Assim, o Senhor quebra a presunção dos seus interlocutores e ainda recorda a responsabilidade pessoal de cada um: “Se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo” (Lc 13,5).
“Quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (1Cor 10,12), diz São Paulo. Quem se julga superior aos outros, porque não lhe adveio nenhuma desgraça, ou quem se julga forte porque faz isso ou aquilo, fique atento ao modo como leva a vida. O discurso de Jesus não é moralista, mas realista. Os acontecimentos trágicos não são castigos divinos para as vítimas, antes, é um apelo à conversão aos sobreviventes. A morte dos outros deve nos levar a pensar em nossa própria morte e no quanto a vida é breve.
Bento XVI, na homilia para este 3º Domingo Quaresmal, em 2007, baseado na leitura do Evangelho de Lc 13,1-9, disse: A conversão é a
única resposta adequada a acontecimentos que põem em crise as certezas humanas. Perante certas desgraças, não serve descarregar a culpa sobre as vítimas. A verdadeira sabedoria é antes deixar-se interpelar pela precariedade da existência e assumir uma atitude de responsabilidade: fazer penitência e melhorar a nossa vida. Cristo convida a responder ao mal antes de tudo com um sério exame de consciência e com o compromisso de purificar a própria vida. Caso contrário diz, todos morreremos do mesmo modo. A conversão, ao contrário, mesmo se não preserva dos problemas e das desventuras, permite enfrentá-los de ‘modo’ diferente. Em síntese: a conversão vence o mal na sua raiz que é o pecado, mesmo se nem sempre pode evitar as suas consequências”.
Se estamos nesta vida, é certo que o Senhor está cuidando de nós, nos ‘adubando’ com sua graça divina e nos guiando para a realização de sua vontade. A nós, cabe responder com frutos de conversão, enquanto ainda há tempo. “Quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (1Cor 10,12).
Jesus chama-nos a mudar o coração, a fazer uma inversão radical no caminho da nossa vida, abandonando o conformismo com o mal… para seguir decididamente o caminho do Evangelho…
#quaresma
#conversão
#anoC

