32o. DOMINGO DO TEMPO COMUM – Um convite à Vigilância constante – 08 de Novembro
A Liturgia deste Domingo convida-nos à vigilância constante, pois a chave de leitura da parábola das dez virgens, narrada por Mateus, encontra-se na prudência das virgens que souberam preparar o óleo para encontrar com o esposo.
O contexto é a parusia do Senhor, em que, de uma lado, temos a ignorância do fim e, do outro, a vigilância ou precaução. A figura do esposo nos recorda o retorno glorioso do Senhor Jesus no horizonte final da história humana; devemos, portanto, caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem e com o coração preparado para o acolher como justo juiz.
Assim, o pano de fundo da parábola mostra que a decisão prudente das jovens de permanecerem atentas é um ato de conversão em vista da manifestação do Reino.
A Primeira Leitura (Sb 6,12-16) apresenta-nos a sabedoria e o convite para ouvir suas palavras. Aponta ainda a acessibilidade da sabedoria. O autor convida-nos a acolher a sabedoria, pois, além de ela ser radiante, nos conduzirá ao Reino.
Na Segunda Leitura (1ts 4,13-18) ou mais breve 4,13-14, Paulo garante aos cristãos de Tessalônica que Cristo virá novamente. Nesta leitura, o apóstolo aborda o problema fundamental da carta, a ressurreição dos mortos e a manifestação final, a segunda vinda (parusia) de Cristo “do céu” (1,10).
Paulo mostra que no fim da história, tanto os mortos como os vivos estarão reunidos para viverem sempre com Cristo ressuscitado. A esperança é para todos, e todos participarão da vitória de Cristo sobre o mal e sobre a morte.
O Salmo 62(63) é um canto de confiança. O salmista parece um exilado que deseja voltar ao santuário. Sua nostalgia é imensa e, para expressá-la, serve-se de imagens belíssimas que bem descrevem sua sede de Deus.
A Parábola das 10 Virgens só aparece em Mateus (Mt 25,1-13) e tem como amplo contexto o discurso escatológico dos caps. 24 e 25. Esse é um dos temas mais importantes da teologia de Mateus, especialmente nas narrativas de motivação da vigília como qualificação para o tempo presente.
Essa parábola das 10 virgens se enquadra nesta perspectiva: tensão entre a certeza da parusia e a incerteza do dia em que ocorrerá.
As moças (virgens) são classificadas em “previdentes” (prudentes, sensatas), e “imprevidentes” (insensatas, sem juízo). Nesta parábola, por sua sensatez, está em jogo o sentido último da vida.
As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: “O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!” (vv. 3-6)
Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: “Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.” As previdentes responderam: “De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores”. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou (vv. 7-10).
As virgens representam pessoas e comunidades cristãs, que devem sempre estar preparadas para o encontro com o Senhor, mediante a “prática da justiça” As lâmpadas e o óleo que as alimenta são expressões da vigilância noturna , e ao mesmo tempo servem para gravar a responsabilidade pessoal , não vale omitir-se afiando-se no outro. Parece-nos uma atitude egoísta das virgens prudentes que não querem repartir seu óleo, mas no contexto há de se considerar: se os prudentes repartissem o óleo, a procissão das luzes (o cortejo com a noiva para a casa do noivo) acabaria no meio do caminho em escuridão, “porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós”.
Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: “Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!” Ele, porém, respondeu: “Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!” Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora (vv. 11-13).
O noivo (Jesus) responde às insensatas e atrasadas com a mesma conclusão e adverte os ouvintes com a mesma ordem de vigiar. “Daquele dia e daquela hora, ninguém sabe, nem os anjos, nem o Filho, mas só o Pai” (24,36p).
A parábola, é uma chamada de atenção muito importante. «Vigiai, pois não sabeis o dia, nem a hora» (Mt 25,13). Não deixem nunca a lâmpada da fé se apagar, porque qualquer momento pode ser o último.
O Reino já está aqui. Acendam as lâmpadas com o óleo da fé, da fraternidade, e da caridade mútua. Nossos corações, cheios de luz, nos permitirão viver na autêntica alegria aqui e agora. Os que moram ao nosso redor ver-se-ão também iluminados e conhecerão o gozo da presença do Noivo esperado. Jesus nos pede que nunca nos falte esse óleo em nossas lâmpadas.
Nossa vida não é ausente de sentido e finalidade, é uma caminhada em direção ao futuro pleno, que se revelará na sala de banquete nupcial. Que possamos, todos nós, ter a disponibilidade e determinação na espera do esposo e nos encontrar um dia reunidos no Reino, nosso futuro salvífico. Amém!

