FORMAÇÃO

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM – “A sentinela do outro” – “Ganhar o Irmão” – Amor ao Próximo – Correção Fraterna – “Poder de Perdoar”

  • Leituras:
  • Ez 33,7-9;
  • Sl 94(95),1-2.6-7.8-9;
  • Rm 13,8-10;
  • Mt 18,15-20

Esta narrativa é o centro do Sermão da Comunidade (Mateus 18). Ali, encontramos o evangelho de hoje e nele estão os assuntos da correção fraterna (18,15-18), da oração em comum (18,19) e da presença de Jesus na comunidade (18,20).

Em Mateus, a organização das palavras de Jesus em cinco grandes Sermões mostra que, já no fim do primeiro século, as comunidades tinham formas bem concretas de catequese.

O Sermão da Comunidade, por exemplo, traz instruções atualizadas de como proceder, caso algum conflito surgisse entre os seus membros.

E o evangelho de hoje propõe três setas no caminho que apontavam o rumo da caminhada e ofereciam critérios concretos para solucionar conflitos.

Na 1ª Leitura (Ez 33,7-9) vemos o cuidado do profeta Ezequiel ao vigiar a casa de Israel, conforme a ordem dada pelo Senhor. Atento aos projetos de Deus e à realidade do mundo, o profeta, como uma sentinela, percebe tudo que está contrário ao plano de Deus e que impede a felicidade dos homens.

E, como bom vigia, alerta a comunidade para os perigos que a ameaçam.

No Salmo 94(95) somos convidados para o louvor a Deus e nos indica o motivo para cantar a realeza de Deus sobre todas as coisas com uma riqueza de imagens. Deus é o Rei Supremo, o Soberano sobre todas os deuses, é o Criador, o Pastor, o Rochedo que salva e por isso nós devemos nos submeter a sua exigência e obediência.

Leia Ex 17,1-7 ou Nm 20,1-13 e aprofunde a meditação deste Salmo. Ele nos leva a rejeitar tudo o que nos afasta da presença de Deus para que possamos participar do Reino de Deus.

Na 2ª Leitura (Rm 13,8-10) Paulo exorta os fiéis de Roma a construir toda a sua vida sobre o amor. Viver o amor como o resumo da lei divina. Os cristãos nunca podem deixar de amar os seus irmãos. Amar a Deus e ao irmão (Lv 19,18).

Na opinião de Paulo, qualquer dívida pode ser liquidada, mas o amor não.

Portanto, essa exigência nunca estará completamente realizada. Paulo assim se expressa na Carta aos Romanos:

“Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei”.

E no Evangelho (Mt  18,15-20) fica clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros.

É a intenção amorosa que torna a obra valiosa aos olhos de Deus” (Santo Ambrósio)

Assim, quando a correção ao irmão é realizada conforme ensina Jesus no Evangelho, ela torna-se a verdadeira manifestação do amor fraterno, pois não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta no amor.

A função da linguagem de julgamento em Mateus é um apelo ao arrependimento. A autoridade dada aos Apóstolos para tal decisão está amparada na delegação dada a Pedro: “Em verdade vos digo, tudo o que ligardes….(v.18)

Peçamos a Jesus que nos ensine a forma de amor correta, que sabe corrigir sem ofender e desencorajar o irmão. Que o Espírito de Amor nos purifique e faça com que as nossas palavras deixem de ser nossas para serem palavras de Jesus.

Peçamos pelas nossas comunidades para que sejam comunidades fraternas em que se notem as marcas do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças e do perdão.

A Eucaristia, oferta maior de amor, nos alimente para essa vivência do amor. Amém!

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