FORMAÇÃOLITURGIA DIÁRIA

2° DOMINGO DO TEMPO COMUM – “Eis-me Aqui!” – 17 de Dezembro

Estamos celebrando a primeira parte do Tempo Comum que tem por objetivo conduzir cada discípulo ao conhecimento do Mestre, aquele que protagoniza todo o ano litúrgico. O Tempo Comum é fundamental, porque é por meio dele que nós conhecemos a quem celebramos. No percurso do Tempo Comum, acompanhamos Jesus em seu ministério, escutando seu ensinamento e presenciando a revelação de sua identidade como Senhor e Salvador.

A liturgia deste dia nos convida a oferecer a resposta esperada pro Deus, que nos chama: eis que venho! (…) Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!”Salmo 39 (40),8-9

Recordando a Palavra:

O texto que nos é proposto como Primeira Leitura (1Sm 3,3b-10.19), apresenta a vocação de Samuel. A cena situa-nos no santuário de Silo, onde estava a Arca da Aliança. Samuel, consagrado a Deus por sua mãe, era servidor do santuário.
Para o nosso autor, o chamamento de Samuel marca o início do movimento profético… Antes, “o Senhor falava raras vezes e as visões não eram frequentes” (1 Sm 3,1); depois, “o Senhor continuou a manifestar-Se em Silo. Era ali que o Senhor aparecia a Samuel, revelando-lhe a sua Palavra” (1 Sam 3,21).
O quadro da vocação de Samuel não nos apresenta, com certeza, uma reportagem jornalística de factos; apresenta-nos, sim, uma reflexão sobre o chamamento de Deus e a resposta do homem, redigida de acordo com o esquema típico dos relatos de vocação.

No Salmo 39(40) cantamos de forma tão bela que no caminho de ir e ver, é que o discípulo aprende a resposta: “Eis que venho, Senhor! Com prazer faço a vossa vontade!” (v.9-9). É um belo poema sobre o encontro de cada discípulo com o Senhor: espera e inclina-se diante do senhor, mas é ouvido em seu clamor.

Na Segunda Leitura, (1Cor 6,13c-15ª.17-20), a questão fundamental, para Paulo, é esta: pelo Batismo, o cristão torna-se membro de Cristo e forma com ele um único corpo. A partir desse momento, os pensamentos, as palavras, as atitudes do cristão devem ser os de Cristo e devem testemunhar, diante do mundo, o próprio Cristo. No “corpo” do cristão manifesta-se, portanto, a realidade do “corpo” de Cristo.

A questão essencial que Paulo nos coloca é a seguinte: Deus chama-nos a acolher a vida nova que Ele nos oferece e a dar testemunho dela em cada instante da nossa existência. A Palavra de Deus que nos é proposta convida-nos, antes de mais, a tomar consciência desse chamamento e a aceitar “embarcar” nessa viagem que Deus nos propõe e que nos conduz ao encontro da verdadeira liberdade e da verdadeira realização.

O Evangelho (Jo 1,35-42), num primeiro momento, o quadro situa-nos junto do rio Jordão (vers. 35-37). Os três primeiros personagens em cena são João e dois dos seus discípulos – isto é, dois homens que tinham escutado o anúncio de João e recebido o seu batismo, símbolo da ruptura com a “vida velha” e de adesão ao Messias esperado. Estes dois discípulos de João são, portanto, homens que, devido ao testemunho de João, já aderiram a esse Messias que está para chegar e que esperam ansiosamente a sua entrada em cena.
Entretanto, apareceu Jesus. João viu Jesus “que passava” e indicou-O aos seus dois discípulos, dizendo: “eis o cordeiro de Deus” (vers. 36).

A expressão “eis o cordeiro de Deus”, usada por João para apresentar Jesus, fará, provavelmente, referência ao “cordeiro pascal”, símbolo da libertação oferecida por Deus ao seu Povo, prisioneiro no Egito. Esta expressão define Jesus como o enviado de Deus, que vem inaugurar a nova Páscoa e realizar a libertação definitiva dos homens. A missão de Jesus consiste, portanto, em eliminar as cadeias do egoísmo e do pecado que prendem os homens à escravidão e que os impedem de chegar à vida plena.
Depois da declaração de João, os discípulos reconhecem em Jesus esse Messias com uma proposta de vida verdadeira e seguem-NO.

“Seguir Jesus” é uma expressão técnica que o autor do Quarto Evangelho aplica, com frequência, aos discípulos (cf. Jo 1,43; 8,12; 10,4; 12,26; 13,36; 21,19). Significa caminhar atrás de Jesus, percorrer o mesmo caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, adoptar os mesmos objetivos de Jesus e colaborar com Ele na missão. A reação dos discípulos é imediata. Não há aqui lugar para dúvidas, para desculpas, para considerações que protelem a decisão, para pedidos de explicação, para procura de garantias… Eles, simplesmente, “seguem” Jesus.

Num segundo momento, o quadro apresenta-nos um diálogo entre Jesus e os dois discípulos (vers. 38-39). Jesus convida-os: “vinde ver”. O convite de Jesus significa que Ele aceita a pretensão dos discípulos e os convida a segui-LO, a aprender com Ele, a partilhar a sua vida. Os discípulos devem “ir” e “ver”, pois a identificação com Jesus não é algo a que se chega por simples informação, mas algo que se alcança apenas por experiência pessoal de comunhão e de encontro com Ele.
Os discípulos aceitam o convite e fazem a experiência da partilha da vida com Jesus.

Num terceiro momento (vers. 40-41), os discípulos tornam-se testemunhas. É o último passo deste “caminho vocacional”:

Quem encontra Jesus e experimenta a comunhão com Ele, não pode deixar de se tornar testemunha da sua mensagem e da sua proposta libertadora. 

Trata-se de uma experiência tão marcante que transborda os limites estreitos do próprio eu e se torna anúncio libertador para os irmãos. O encontro com Jesus, se é verdadeiro, conduz sempre a uma dinâmica missionária.

#liturgiadominical #tempocomum #eisocordeirodedeus #eisquevenho

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.