1° DOMINGO DO ADVENTO – ‘Vigiai: Pois não sabeis quando o Senhor virá’ – 29 de Novembro
Neste primeiro Domingo do Advento nós iniciamos um novo Ano Litúrgico. O ano B da Liturgia Dominical inspira-se no Evangelho de Marcos.
O centro do nosso calendário de celebrações não é uma instituição, nem mesmo um conjunto de ideias: é uma pessoa, JESUS CRISTO.
O Advento nos prepara para o Natal, um tempo de vigilância, de alegre esperança no Senhor que vem: veio em Belém, vem no mistério celebrado no Natal, virá no final dos tempos e vem a cada dia, nos grandes e pequenos momentos, nos sorrisos e nas lágrimas. A Novena do Natal nos convoca ao encontro fraterno, a partilha da vida e nos prepara para bem acolher o Senhor. Vivamos, pois, intensamente esta celebração, para a qual trazemos toda a nossa vida, com suas alegrias, dores e esperanças.
O conjunto de leituras propostas para este domingo canta a esperança pela vinda do Senhor. A Primeira Leitura (Is 63,16b-17.19b;64,2b-7) é um recorte do chamado Terceiro Isaias, a escola profética do pós-exílio. É bem oportuno que o Advento se inaugure com esse trecho do Antigo Testamento, porque as circunstâncias do exílio na Babilônia favoreceram, em muitos aspectos, o reacender da espera do Messias e a compreensão de sua figura com a daquele que viria da parte de Deus para libertar Israel de suas dores e opressões.
O profeta Isaías faz uma oração apaixonada, que vem do fundo do coração. Deus é Pai e Redentor. Mostra a nossa realidade marcada pelo desejo de vida nova, mas, ao mesmo tempo, de fraqueza interior, incapacidade e inconstância de praticar somente o que é bom e justo. A chegada de Deus rasga não somente o céu e as nuvens. Rasga, principalmente, o nosso coração. Quando nos convertemos, podemos dizer como o profeta: “Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos”.
Advento é tempo de oração, caridade e louvor. A preparação para o Natal é mais do que uma recordação ou “uma coisa bonita”. É tempo de verdadeira mudança de vida. Portanto essas são as atitudes características desse tempo: a perseverança na oração, rezar mais; o trabalho na caridade fraterna, aproximar-se um pouco mais daqueles que têm necessidade; e a alegria no louvor do Senhor. O Papa Francisco anima a comunidade cristã com essas palavras:
Hoje há tanta necessidade de pessoas que sejam testemunhas da misericórdia e da ternura do Senhor, que chacoalha os acomodados, reanima os que não têm confiança, acende o fogo da esperança. Nosso testemunho e consolo podem ser importantes hoje em muitas situações, por exemplo, junto a quem está oprimido por sofrimentos, injustiças e abusos; com aqueles que são escravos do dinheiro, do poder, do sucesso, da mundanidade e vivem de falsas consolações! Todos somos chamados a consolar nossos irmãos, testemunhando que somente Deus pode eliminar as causas dos dramas existenciais e espirituais”.
São Paulo exorta, ao dirigir-se à comunidade de Corinto, na Segunda Leitura (1Cor 1,3-9) logo no início do seu discurso com um grande elogio à perseverança da comunidade na vivência dos dons recebidos do Senhor.
Paulo constata que vem de Deus o grande testemunho da comunidade: “Nele fostes enriquecidos em tudo, (…) não tendes falta de nenhum dom” (1Cor 1,5.7).
E é por ter sido confirmada em tantos dons que a comunidade deve permanecer perseverante: não agir como se seu testemunho já bastasse para sua salvação, mas perseverar no crescimento constante, porque até mesmo a perseverança é um dom que vem do Senhor: “É ele também que vos dará perseverança” (1Cor 1,8)
O convite do Evangelho (Mc 13,33-37) é muito importante: Prestem atenção; Fiquem vigiando! Não durmam.
Em vez de responder aos discípulos quando e como virá o Senhor, Jesus mostra a eles a atitude esperada e correta. Há uma certeza: O Senhor Vem! Estejam preparados.
Para viver o espírito do Natal, precisamos focar em Jesus e fazer renúncias. Na carta sobre a Evangelização nos tempos atuais, o Papa Francisco convida os cristãos a ficarem atentos e recusar algumas propostas e situações: Não a uma economia da exclusão; Não à nova idolatria do dinheiro; Não a um dinheiro que governa em vez de servir; Não à desigualdade social que gera violência; Não ao desânimo egoísta; Não ao pessimismo estéril; Não ao mundanismo espiritual.
Rejeitando essas tentações, a comunidade pode, realmente, se tornar um lugar de amor e solidariedade, de comunhão e reconciliação. A partir da comunidade-igreja, a nossa família também é restaurada no amor de Deus.
ATUALIZANDO A PALAVRA
É importante levar a comunidade a refletir sobre o significado de caminhar sob a luz do Senhor na realidade em que se vive. Se a Liturgia de hoje nos convida à vigilância, que é levar adiante o trabalho que nos foi confiado pelo Senhor, então cada um precisa refletir a respeito de qual é essa missão recebida, seja em sua vida, com sua família, com sua comunidade, em seu trabalho, com seus amigos mais próximos e também com aqueles que estão mais distantes.
Outra reflexão importante a se fazer é a respeito do motivo pelo qual levamos adiante a missão recebida do Senhor: será que o fazemos por medo de perder a salvação ou porque nos encontramos com o Senhor e somos gratos por Ele nos ter escolhido para fazer parte de seu Reino?
Iniciamos hoje o Advento, façamos deste tempo sagrado um mergulho no mistério de Cristo e no mistério da Igreja. Vamos nos manter felizes na espera vigilante do Senhor que vem.

