Solenidade SSMO. Corpo e Sangue de Cristo – “DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER” – 16 de Junho de 2022 – Ano C
O Senhor Jesus instituiu a nova e eterna Aliança no seu sangue em um banquete memorial que, atravessando todos os séculos, chega até nós como a fonte e ápice de toda a nossa vida cristã. É fonte, pois deste sacrifício de Cristo jorra para nós a vida nova, e é ápice, porque para este banquete se encaminha toda a nossa vida cristã.
O banquete é um fato humano, mas que possui um significado particular: é comunhão, festa e partilha. O banquete simboliza a solidariedade humana. Neste banquete especial, oferecido por Jesus, está a multidão dos pobres, marginalizados, doentes e das ovelhas que não tem pastor. No banquete da Eucaristia, antecipamos as alegrias do Céu, na qual o próprio Senhor se cingirá e, passando, servirá aos seus (Lc 12,37): Somos felizes porque o Senhor nos convida para a sua ceia!
A primeira leitura, do Gênesis, (Gn 14,18-20) nos apresenta a figura misteriosa de Melquisedec, um rei sacerdote que oferta pão e vinho, e com essa oferta abençoa Abrão. Neste sacerdócio de Melquisedec, conforme nos indica o Salmo, está prefigurado o sacerdócio régio de Cristo e, por conseguinte, o sacerdócio comum daqueles que se configuraram a Cristo pelo Batismo: um sacerdócio capaz de prestar um culto verdadeiro a Deus e de abençoar.
O culto espiritual dos cristãos é a oferta do próprio corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (cf. Rm 12,1), assim como fez o próprio Cristo na doação antecipada de si mesmo nas espécies do pão e do vinho, e em seguida na doação total da cruz. Esta oferta de si mesmo, encontra a sua manifestação ritual no rito eucarístico, conforme celebramos em todas as missas. O que Paulo escreve aos Coríntios (SEGUNDA LEITURA: 1Cor 11,23-26) é a primeira narrativa da ceia do Senhor, posta antes mesmo dos Evangelhos. Nesta narrativa, Paulo apresenta a dimensão cultual da Eucaristia, enquanto faz-se “em memória” de Cristo. O que a torna um ato evangelizador por excelência: pois anuncia a morte do Senhor e prepara a sua segunda vinda.
No Evangelho, (Lc 9,11b-17) Jesus alimenta toda a multidão faminta e sedenta de Deus: primeiro com o anúncio do Reino e a sua manifestação concreta nas curas dos doentes; e em seguida com a partilha do pão. Na perspectiva eucarística, a Igreja recebe do Cristo a missão de alimentar a multidão faminta com a Palavra (anúncio do Reino) e com o Pão (“Dai-lhes vós mesmos de comer”). Toda vez que a Igreja assim o fizer, estará cumprindo a ordem de Jesus: “Fazei isto em memória de mim”.
Hoje, também somos convidados a rezar pelos vocacionados à vida sacerdotal e pelos que já são Padres e Bispos. São estes consagrados que, pela intenção e oração da Igreja, presidem e distribuem o Pão Eucarístico. Enquanto as Comunidades ainda não têm aos domingos a Celebração Eucarística, quem as sustenta, alimenta e fortalece na caminhada é a Palavra de Deus. Todos nós somos responsáveis por cultivar, rezar e valorizar as diversas vocações na Igreja que brota e é fortalecida em uma íntima relação com a Eucaristia.
Neste dia santo, fazemos memória da instituição da Eucaristia desejosos de que Ela esteja sempre presente nos altares ao redor do mundo santificando os fiéis e todos que a preside.
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