FORMAÇÃOLITURGIA DIÁRIA

5º DOMINGO DA PÁSCOA – Permanecer em Jesus para produzir frutos – Ano B – 02 de Maio de 2021

Seguindo a caminhada pascal, celebramos hoje o domingo do evangelho da videira e dos ramos. “Eu sou a videira, vocês são os ramos!”

Jesus ressuscitado, que no domingo passado se apresentou como o Bom Pastor, neste, se manifesta como “a videira e o Pai como o agricultor”. Ele nos convida a uma relação tão interdependente, comparada à dos ramos com o tronco de uma árvore. A comunidade é como uma videira, por vezes ela passa por momentos difíceis. É o momento da poda, necessário para que ela produza mais frutos.

A comunidade dos discípulos que permanecer unida ao Ressuscitado terá vida plena e, como a videira, produzirá os frutos desejados pelo Pai. Esta comunidade será verdadeira testemunha da presença e do carinho de Deus (o agricultor) no meio da sociedade.

Celebremos a páscoa de Jesus que se revela em todas as pessoas e grupos que testemunham um amor solidário, especialmente para com os enfermos e sofredores de nossa sociedade.

No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-7), simbolizando a relação do povo com Deus. O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12).

A leitura dos Atos dos Apóstolos recorda a estadia de Paulo em Jerusalém, depois de ter saído de Damasco e de sua conversão. A comunidade é tomada pelo medo e a desconfiança.

Apesar de Paulo empenhar-se em estar com os discípulos, a comunidade não acredita “que seja um dos discípulos”. A mediação e o testemunho de Barnabé em favor de Paulo foram significativos diante da comunidade. Ele segue com entusiasmo, testemunhando Jesus Cristo, enfrentando ardorosamente as dificuldades e as posições suscitadas por sua pregação. A Igreja em paz, se edificava e progredia no temor do Senhor, e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo. (1º Leitura – At 9,26-31)

Pelo canto do Salmo, a comunidade é convidada a agradecer ao Senhor Deus que jamais abandona quem nele depõe sua confiança. Como a Paulo, o Senhor sustenta nossa labuta em favor da vida e de relações humanas alicerçadas na justiça. Todos cantam: “Sois meu louvor em meio à grande assembleia; anunciarei a todos vosso nome!” Sl 22(21).

A Carta de João que vamos ouvir nos apresenta alguns critérios sobre a maneira de viver como cristãos. A prática do mandamento do amor vai além de sentimentos e afetos. Ela se concretiza em ações que promovem a vida e a felicidade dos irmãos. Mais do que belos discursos, são as ações concretas em favor do próximo que dão credibilidade à vivência cristã e testemunham o plano salvador de Deus. Quem alicerça sua vida no amor está livre de todas as dúvidas e inquietações e tem a garantia de estar no caminho da verdade (2º Leitura – 1Jo 3,18-24)

Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas saborosas deu frutos azedos, amargos, que não prestava para nada (Is 5,3-4). As imagens refletem a relação da aliança: Deus é fiel, mantém o seu amor, mas o povo O rejeita e não faz a sua vontade. Segundo o relato do Evangelho de João ( 15,1-8), às vésperas de sua morte, Jesus revela a seus discípulos seu desejo mais profundo: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (v.4).

Ele conhece a fraqueza deles, a falta de fé e por isso se não se mantiverem unidos a Ele, não poderão subsistir, fracassarão. Sabendo disso, Jesus insiste no “permanecer” verbo que aparece oito vezes dos versículos 4 ao 7. Jesus declara: “Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim” (v.4).

Se nós não nos mantivermos unidos a Cristo, se não vivermos do seu espírito, da sua Palavra, o que foi iniciado por Ele se extinguirá. “Suas palavras permanecem neles”. Jesus nos convida a viver do seu Evangelho. Essa é a fonte da qual devemos beber, pois “as palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6,63).

Jesus é a nova videira, a verdadeira, cheia de vida: “Eu sou a videira e vós os ramo” (v.5). Nós somos os ramos alimentados pela seiva que provém dele. “Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer” (v. 5).

Separados de Jesus nós, seus discípulos, não podemos fazer nada.

Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda, para que dê mais fruto ainda!” (Jo 15,1).

Deus como agricultor, cuida com carinho dos ramos para que produzam mais frutos e corta, poda aqueles que não produzem frutos. Existe uma proximidade entre os verbos “permanecer” e “frutificar”. Permanecem e frutificam aqueles que observam a Palavra de Deus (v.7).

Os frutos têm duplo direcionamento: o amor aos irmãos e a glorificação do Pai pela obediência a Cristo no discipulado: “Nisso o meu Pai é glorificado: que deis muitos frutos e vos ternei meus discípulos” (v.8). A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos. Há ramos secos pelos quais não circula a seiva de Jesus. Sem receber a seiva de Cristo, desanimamos, nos desviamos do caminho e do projeto de Deus. Por isso ficamos estéreis, não produzimos frutos.

Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia, através dos acontecimentos e por tantos outros meios.

PARA REFLETIR:

As “podas” são necessárias para a nossa conversão, para deixar-nos transformar por Cristo, para que cheguemos a dizer com o apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). “A “poda” faz parte essencial de todo o processo de crescimento. Poderíamos expressar assim: a poda significa morrer ao que não somos (falsas imagens de nós mesmos, vaidade, prestígio…) para que possa brotar, a partir de nossa interioridade, o que realmente somos. Trata-se da poda do ego (fechado, petrificado, sem vida…) para que possa destravar-se a Vida que carregamos por dentro e que é a nossa verdadeira identidade. Na oração: rezar as “podas” na vida pessoal, familiar, profissional, eclesial… como oportunidade para o surgimento do novo: nova vida, nova visão, nova sensibilidade…

Somos desafiados a nos deixar podar de tudo o que amarra e impede o passo, os pesos mortos que nos paralisam, o ranço que faz perder o sabor e o sentido em nossa missão.

Jesus se define como “videira verdadeira”.

  • Sinto-me unido a Jesus em minha vida e missão?
  • Tudo o que faço é a partir da seiva que recebo dele?
  • Quais são os frutos do “permanecer” nele?
  • Quais as consequências do não “permanecer” nele?
  • Quais a podas que o Senhor precisa fazer em mim para que eu permita que “Cristo viva em mim”?

DEIXAR-SE PODAR! Abençoado Domingo para você e sua família!

#5domingodapáscoa #videiraeseusfrutos

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