FORMAÇÃO

5º DOMINGO DA QUARESMA – ‘Morte e Glorificação’ – 21 de Março

Neste domingo, vamos ao encontro do Senhor e recebemos dele o anúncio de que sua glória passa pela experiência do grão que cai na terra para produzir frutos. Fazemos memória da Páscoa de Jesus que hoje acontece em todas as pessoas que gastam sua vida em favor dos outros. Cristo elevado na cruz institui a nova e eterna Aliança.

No Tempo Quaresmal, defrontamo-nos com a experiência da morte como caminho necessário e inevitável para alcançar a vida. Por mais paradoxal que pareça, o caminho para a vida é o mesmo da morte.

O culto a Deus, para ser autêntico, deve levar para a prática. O projeto de Deus sempre envolve a esperança de um mundo diferente, de alianças em favor da vida, de comunidades comprometidas com a mudança de rumo.

“CHEGOU A HORA EM QUE O FILHO DO HOMEM VAI SER GLORIFICADO”

A Primeira Leitura (Jeremias 31,31-34) é um oráculo de salvação repleto de esperança salvífica. Seu contexto literário é o livro da consolação, considerado por muitos estudiosos o clímax da profecia de Jeremias e, talvez, o clímax da profecia bíblica.

O contexto desta leitura é o da calamidade resultado da destruição de Jerusalém em 587 a. C., fruto das infidelidades de Judá e Israel à Aliança feita com Deus. Olhando toda a situação, o profeta Jeremias anuncia uma futura e definitiva Aliança, não mais feita com mediações exteriores (sacrifícios, ritos legais, tábuas de pedra), mas gravada no coração, escrita no peito de um novo povo de Deus. No entanto, essa Lei, dada em tábuas de pedra, não tinha conseguido conduzir o povo a Deus. O ritualismo e o formalismo tinham abafado o seu conteúdo.

Deus então promete algo novo. Não se trata de renovação da Aliança do Sinai, nem de sua reformulação parcial. Trata-se de algo diferente. E a novidade está nos versículos 33-34. Os elementos principais da novidade são três: “interiorização, conhecimento de Deus e perdão dos pecados”.

O Salmo (50/51) é uma súplica individual que retorna a Liturgia quaresmal (Quarta-Feira de Cinzas). Desta vez com enfoque na graça divina, a qual pode criar “um coração que seja puro”. O salmista em oração coloca-se diante da misericórdia de Deus, confiando que Ele tudo pode e quer sanar, regenerar, recriar todas as coisas com a santidade e a novidade do seu Espírito. O rosto de Deus no Salmo 50/51, é misericórdia, isto é, mais uma vez, o Deus da Aliança. O salmista, pois, tem consciência aguda da transgressão que cometeu. Porém, maior que seu pecado é a confiança no Deus que perdoa.

A Segunda Leitura (Hebreus 5,7-9) é um texto da Carta aos Hebreus, um discurso cristão primitivo onde no centro da Carta , o autor apresenta sua mensagem, o acesso ao Sumo Sacerdote do Santuário celeste, mantendo-se firme a profissão de fé (Hb 4,14-10.31). Em suma, a leitura mostra como o Pontífice da Nova Aliança “está perto das pessoas”. A vida humana de Cristo, perseguido, caluniado, incompreendido, torturado e por fim crucificado e morto, tornou-se apto a conferir a seus seguidores a salvação. O cristão aprende que os seus sofrimentos podem adquirir um novo significado à luz dos sofrimentos de Jesus.

O  Evangelho  de hoje, (João 12,20-33), tem caráter avaliativo:

E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora!’? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim!” (Jo 12,27)  

João destaca que está chegando a “hora” da exaltação de Jesus, de sua paixão, morte e ressurreição. O cerco começa a fechar-se ao redor de Jesus: começam a aparecer o escândalo da cruz e a tensão da paixão. Sua glorificação, porém, não passa pelas expectativas do povo que quer proclamá-lo rei.

No mundo das contradições do poder (do “príncipe deste mundo”) Jesus assume um messianismo diferente: monta num jumentinho (João 12,14-15), assume o caminho do serviço, da doação do grão de trigo que morre para produzir fruto, do discípulo e da discípula que doa a sua vida para proclamar a vida maior, a vida eterna. O povo não entende. Humanamente falando, Jesus se perturba, mas vai em frente, pois a voz que vem do Pai confirma: “Eu manifestei a glória do de meu nome”.

A glória de Jesus consiste em dar sua vida, para que nasça um mundo diferente, novo, sem a prepotência do “príncipe deste mundo”. “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.”

O amor do Ressuscitado é a nova lei impressa nos corações dos discípulos. Quem o segue não precisa de mestre.

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