FORMAÇÃO

3º DOMINGO DA QUARESMA – “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei” – 07 de Março

Nas liturgias do 3º ao 5º Domingo Quaresmal, seremos conduzidos pela escuta do Evangelho de João.

Pelo gesto simbólico da purificação do Templo e por dois discursos de Jesus, somos incitados a avaliar a qualidade de nossa resposta à pessoa de Jesus e à sua autoentrega na cruz.

Na Liturgia de hoje, contemplamos o mistério da purificação do Templo, no qual nova vida e prática religiosa podem encontrar seu real significado, purificadas e reorientadas para a Cruz.

A Liturgia do 3º Domingo da Quaresma nos ensina que o corpo morto e ressuscitado de Cristo é o verdadeiro santuário onde o Pai habita e pelo qual irradia o perdão e a misericórdia sobre o mundo. (Evangelho Jo 2,13-25)

A Lei foi dada por Moisés para educar na liberdade aqueles que, por graça, foram libertos da escravidão, conforme vemos na Primeira Leitura (Ex 20,1-17).

Podemos responder a deus exaltando suas palavras de vida eterna (Salmo 18 (19)) e anunciando a força e sabedoria de Cristo crucificado em nossa fraqueza e simplicidade, conforme narrada na Segunda Leitura (1Cor 1,22-25) onde o apóstolo Paulo exorta os coríntios a encontrar um acordo e superar as divisões: “Será que Cristo está dividido?” retomando a mensagem da cruz.

A purificação do templo nos ensina também a purificar nossas celebrações de todas as atividades excessivas, que ofuscam a simplicidade do mistério celebrado. Não são os milagres nem a eloquência que garantem a eficácia do anúncio. A forma como celebramos a Eucaristia precisa apontar com simplicidade para a mensagem pascal (Cristo morto e ressuscitado). Na “fraqueza” e “loucura” do pão e Vinho consagrados, encontramos a “força” e a “sabedoria” da Cruz.

Jesus, na perspectiva dos antigos profetas, não ensina apenas com palavras, mas através da profecia em ato (ações simbólicas), isto é, por meio de um gesto simbólico-provocativo: “Fez então um chicote com cordas e expulsou todos do Templo, chama atenção dos presentes a ponto de, não entendendo a razão para tal ação, exigem a sua justificativa: “Que sinal nos mostras para agir assim?”. A ação realizada alcança seu ponto alto na palavra proferida por Jesus: Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei, que representa uma denúncia e o anúncio portador de uma revelação de quem Ele é.

Ao expulsar os vendilhões do Templo Jesus inaugura a nova e definitiva liturgia agradável a Deus. Não há mais necessidade de comprar bois, ovelhas e pombas para o sacrifício, pois é Ele mesmo a vítima a ser oferecida para a reconciliação do gênero humano. Os cambistas que trocavam as moedas pagãs por moedas permitidas pelas autoridades religiosas para o pagamento dos impostos do Templo são mandados embora pois a graça da salvação realizada por Jesus não tem preço, é dom gratuito. E o alto preço que foi pago por tão grande dádiva não se quantifica em moedas mas é expressão da generosidade do Filho de Deus que veio para dar a sua vida a fim de “que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

O chicote zeloso de Jesus não pretende simplesmente destruir, mas é sinal de purificação; não é símbolo de um desesperado que se contenta apenas em depredar para denunciar, mas representa o seu compromisso de cuidar das coisas do Pai, pois essas são as melhores para garantir a vida do seu povo.

A Quaresma é tempo em que buscamos nos reconciliar com Deus e com os irmãos, e os mandamentos do Decálogo são colocados diante de nós como princípios orientadores que contêm a sabedoria divina. Escritos com clareza, com uma linguagem que todos podem compreender, eles devem ser apreciados e observados como regra de ouro.

Todos os seres humanos são chamados a serem templos de Deus em Cristo Jesus. Importa não profanar o templo que carregamos em nós mesmo. Importa fazer com que tudo o que nele se realiza seja agradável a Deus. Há de sê-lo se vivermos a sabedoria e ou a loucura da cruz, isto é, se soubermos viver o amor que nos foi ensinado por Cristo, que deu sua vida para que tivéssemos vida. Essa é a nova Aliança selada por Cristo com toda a humanidade.

Abençoado domingo a todos!

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