2ª SEMANA DO TEMPO COMUM – Sábado – 23 de Janeiro – Mc 3,20-21
A reação da família de Jesus ao saber das multidões que o cercam pode ter interpretações variadas. A expressão traduzida por “familiares” pode significar ou laços consanguíneos ou a proximidade dos discípulos.
Pode-se também ter a dupla interpretação de que o verbo usado no texto, “fora de si”, refira-se a Jesus ou á multidão. Assim pode-se entender que, ou os familiares ou os discípulos de Jesus, não o compreendendo e julgando-o fora de si, queiram retê-lo, ou julgando a multidão demais agitada queiram protegê-lo.
Marcos gosta de apresentar Jesus num contexto de crise, e assim se explica esta breve narrativa referente à família do Mestre, apontando para um ensinamento posterior.
Jesus está no centro de uma série de antagonismos e incredulidades. A única possibilidade de adesão a ele deve passar por cima da dependência carnal e apoiar-se numa dependência espiritual forjada na fé.
Certamente o discípulo é chamado a romper com todas as estruturas que o impedem de dedicar-se à sua missão, mesmo que venham de círculos tão próximos como os da família, e abrir-se a um novo mundo de relações fundamentadas na fé e na convicção de ter sido escolhido por Jesus.
Se eles não conseguem aceitar a missão de Jesus, este também não o reconhece como parente. É preciso ser obediente a Deus, porque no centro está o ser humano e suas necessidades.
Estar sentado à sua volta é estar atento aos seus ensinamentos. É a unidade em Jesus que se deve fazer evidente numa opção de vida, numa instauração de uma família, como também na vida; viver a vida com adesão ao projeto de Deus e na construção de um mundo novo, no qual a esperança nos mova para frente para podermos chegar a terra onde jorra leite e mel. Chamem-nos os nomes que nos quiserem chamar. Digam o que quiserem dizer. É preciso dizer: Sou católico e não desisto nunca.
- Leituras do Dia:
- Hb 9,2-3.11-14
- Sl 46(47)
- Mc 3,20-21
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