FORMAÇÃOLITURGIA DIÁRIA

SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS, MARIA – Sexta-Feira – 01 de Janeiro

“OS PASTORES VOLTARAM, GLORIFICANDO E LOUVANDO A DEUS”

Dedicamos à Maria, Mãe de Deus, o primeiro dia do ano civil de 2021. Este é o dia de reunir e apresentar a Deus nossos propósitos de vida para o ano que se inicia e também nossos pedidos, para que ele nos livre dos males que o mundo enfrentou em 2020 e nos dê um ano com mais paz e alegrias. É tempo também de recordar tudo o que aconteceu, olhar para o nosso interior e para a nossa volta seguindo o exemplo de Maria, que guardava todas as coisas em seu coração, na esperança de que, um dia, tudo encontrasse sentido em Deus. Sob a sua intercessão, iniciamos confiantes este novo tempo.

Como Primeira Leitura na Oitava do Natal e Ano Novo, (Números 6,22-27), a Igreja escolheu a bênção sacerdotal do Primeiro Testamento, com que se encerravam as grandes celebrações litúrgicas no Templo de Jerusalém. Entre estas, a celebração do Ano Novo era uma das mais importantes. Mais tarde encerravam-se as reuniões semanais nas sinagogas com esta bênção de Araão, que só podia ser pronunciada por um sacerdote. A bênção está escrita em três versos.

A primeira parte de cada verso invoca a ação pessoal do Senhor sobre o povo: “abençoe” (versículo 24a), “faça brilhar sua face” (versículo 25a) e “volte seu olhar” (versículo 26a). A cada um dos atos do Senhor segue uma consequência da bênção invocada: “guardará” (versículo 24b), “compadecerá” (versículo 25b) e “dará a paz” (versículo 26b).

O Salmo responsorial 66/67,2-3.5-6.8 mistura vários tipos: súplica coletiva (versículo 2-3), hino de louvor (versículos 4.6) e ação de graças coletiva (versículos 5.7-8). Nós o consideramos ação de graças coletiva. O Povo agradece a Deus após a festa da Colheita, e aprende que Ele é o Senhor do mundo. 

Na Segunda Leitura – Gálatas 4,4-7, o apóstolo Paulo afirma que Ele veio como filho de mãe humana. O pensamento desta passagem é dominado por duas frases semelhantes: “Deus enviou seu Filho” e “Deus enviou o Espírito de Seu Filho”.

Na primeira parte da passagem (versículos 4-5) Paulo afirma que a vinda do Filho de Deus ao mundo marca a plenitude dos tempos. Na segunda parte (versículos 6-7), que todos os cristãos – sejam eles convertidos do judaísmo, seja do paganismo – participam desta plenitude pelo dom do Espírito Santo. Os cristãos devem esta participação na plenitude pelo fato de que o Filho de Deus se solidarizou com todas as pessoas até o pleno esvaziamento de Si mesmo.

A Igreja contempla agradecida a maternidade da Mãe de Deus, modelo de sua própria maternidade para com todos nós. Lucas nos apresenta o “encontro” dos pastores “com o Menino”, o qual está acompanhado de Maria, sua Mãe, e de José. A discreta presença de José sugere a importante missão de ser custódio do grande mistério do Filho de Deus.

Todos juntos, pastores, Maria e José, «os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém nascido, deitado na manjedoura» (Lc 2,16) é como uma imagem preciosa da Igreja em adoração.

“A Manjedoura”: Jesus já está na manjedoura, numa noite alusiva à Eucaristia. Foi Maria quem o colocou lá! Lucas fala de um “encontro”, de um encontro dos pastores com Jesus. Em efeito, sem a experiência de um “encontro” pessoal com o Senhor, a fé não acontece. Somente este “encontro”, o qual se entende um “ver com os próprios olhos”, e em certa maneira um “tocar”, faz com que os pastores sejam capazes de chegar a ser testemunhas da Boa Nova, verdadeiros evangelizadores que podem dar a conhecer o que lhes haviam dito sobre aquela Criança. «Tendo-o, contaram o que se lhes havia dito sobre o menino» (Lc 2,17).

Aqui vemos o primeiro fruto do “encontro” com Cristo: «E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam» (Lc 2,18). Devemos pedir a graça de saber suscitar esta admiração naqueles a quem anunciamos o Evangelho.

Ainda há um segundo fruto deste encontro: «os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito» (Lc 2,20). A adoração do Menino lhes enche o coração de entusiasmo por comunicar o que viram e ouviram, e a comunicação do que viram e ouviram os conduz até a pregaria de louvor e de ação de graças, à glorificação do Senhor.

Maria, mestra de contemplação —«Maria guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração» (Lc 2,19)— nos dá Jesus, cujo nome significa “Deus salva”. Seu nome é também nossa Paz. Acolhamos no coração este sagrado e doce Nome e tenhamo-lo frequentemente nos nossos lábios!

A festa de hoje renova, para nós, o sagrado início do nascimento de Jesus, nascido da Virgem Maria. E, enquanto adoramos o nascimento de nosso Salvador, celebramos também o nosso nascimento. Efetivamente, a geração de Cristo é a origem do povo cristão; o Natal da cabeça é também o Natal do Corpo”.

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