22º DOMINGO DO TEMPO COMUM – “Renunciar os valores do Mundo e assumir nossa CRUZ DIÁRIA”
A Liturgia deste domingo nos mostra quais as condições para o cristão seguir Jesus: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”.
Aqui observamos claramente que Jesus não nos obriga a segui-lo, pois a frase está no condicional.
No entanto, aquele que se propuser a ser discípulo deve seguir as duas condições nos valores do mundo e assumir a sua cruz diária. Só nessas condições, o cristão viverá de acordo com o Evangelho e reconhecerá o verdadeiro sentido de toda sua existência.
A Primeira Leitura (Jr 20,7-9) nos mostra Jeremias envergonhado por ter se tornado alvo de chacotas, por causa das palavras ditas contra Israel e por ter colocado a sua vida à disposição do projeto de Deus.
O profeta teve que enfrentar os poderosos da cidade, indo contra a lógica do mundo ao apontar os valores de Deus. Com isso, conheceu o sofrimento e a perseguição, sua experiência de cruz.
Mas vemos no decorrer da Leitura que ele não desiste.
Na Segunda Leitura (Rm 12,1-2), Paulo exorta os cristãos a se oferecerem como sacrifício vivo e agradável a Deus, ou seja, a fazerem de seu corpo uma oferenda permanente a Deus.
De acordo com o apóstolo Paulo, esta oferta significa viver os planos de Deus e suas consequências. Este é o comportamento do cristão: seguir Jesus e acolher a salvação que Ele nos oferece.
Não podemos esquecer, em momento algum, que isso implicará numa exigência de vida nova, um comportamento coerente com os valores que Jesus aponta, e isso fará emergir uma nova vida em direção a Deus.
Vejam, que sublime leitura, amados irmãos!
Hoje no Salmo Responsorial (Sl 62(63),2.3-4.5-6.8-9) o salmista canta sua confiança e segurança em Deus, apesar dos aborrecimentos causados pelo ataque dos inimigos traiçoeiros (v.4).
Mas, vejamos como permanece consciente de que pode esperar pelo livramento divino.
Enxerga em Deus sua Rocha e Salvação, não se apoia e não confia na força humana e, em seguida, exorta a comunidade a seguir seu exemplo, advertindo-a contra a prosperidade mal adquirida.
E no Evangelho (Mt 16,21-27) vamos confirmar as leituras: quem quer conservar sua vida vai perdê-la.
Jesus avisa aos discípulos que o caminho de uma vida verdadeira não passa pelos triunfos humanos, mas pelo amor e dom da vida.
Aí vemos o Anúncio da Paixão: Jesus está em direção a esse caminho da oferta maior de amor, a sua própria vida.
Para Jesus, a vontade do Pai está em primeiro lugar, ainda que isso comporte riscos, medos e sofrimentos.
Jesus explica aos discípulos que oferecer a vida por amor a Deus e aos irmãos não significa um fracasso, mas ter a vida eterna, a vida verdadeira que Deus oferece a quem vive de acordo com suas propostas. (v.25)
Concluímos que apesar de a nossa tendência ser a mesma daquela inicial de Jeremias e de Pedro – fugir da missão de anunciar ao mundo o significado da Cruz – é essa a grande meta que todos nós devemos procurar alcançar, o sentido que ela tem para nós cristãos:
Tomar a Cruz é seguir Jesus e ter a esperança de uma vida nova.
Procuremos alcançar esta meta, pela força da comunhão em Cristo.
Abençoado seja seu domingo e que Jesus nos conceda a força para suportar tudo por Amor à Deus e em agradecimento à sua “oferta das ofertas”, que nos garante vida após a morte. Amém!

